quinta-feira, 7 de abril de 2016
Rumanando
Marias, Pedros, Joões,
ruminando pelos currais
de suas subjetividades,
em filas de metrô,
nos bretes sujos dos centros,
pisando as dignidades
perdidas pelas parelhas
que por ali passaram,
rumando o abate diário
de quem poderiam ter sido.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
Dia de Sul
sobre o campo verde,
e a garoa fina
perfuma a terra.
O que dizer que não disse o dia?
sábado, 5 de dezembro de 2015
Nada Vale
Sangra cor de cobre,
sangra ferro, sangra bauxita,
sangra tanto que ninguém acredita,
sangra e cobre casa e gente e bicho,
e mato.
Mata, rio,
mata o que vive e o que rasteja,
e a mata, e o que nada, e o que quer que seja,
que esteja no caminho da barragem,
mata a mata e mata a paisagem,
e deixa essa imagem assim,
embarrada, desolada e morta,
vontade torta nesse metal vileza,
tristeza que cavalga o leito,
pelo vil metal, esse deus eleito,
torto deus que nada Vale.
domingo, 7 de junho de 2015
Deles
sábado, 13 de setembro de 2014
Ente
E Deus é deus
E deus é o cão
e o peixe
e o cão que tentou salvar,
ou enterrar,
o peixe.
E quem riu do cão que tentou
salvar ou enterrar o peixe
E o riso, e o som do riso
que pelo ar chegou ao tímpano
de quem ouviu o riso
que é Deus tanto quanto o tímpano...
E Deus é todo o ar
que o peixe não pode respirar
por não haver água nele...
E a água do chão, insuficiente
também foi Deus e o é agora
na nuvem ou no rio ou no esgoto.
E ele é o filme sobre o peixe morto
que o mistério da vida que não se questiona
tentou reviver
enquanto o mistério da vida que se questiona
filma e ri.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Da vida...
O melhor da vida é que cada qual tem a sua.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Poema sem nome
e o tempo inteiro
sou luz sem vela
nau sem timoneiro
destino sem causa
pensamento sem freio
cometa sem cauda
estampido sem meio
sou meio de mim
e no fim, recomeço
não vivo nem morro:
aconteço.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Antiode aos vermes
sem cometer erros
ou sem esquecer
coisas importantes
sem magoar alguém que não mereça
ou sem ser magoado,
por certo não terei vivido
nem um segundo
do tempo que dispus.
Aos vermes deixarei,
meu corpo inútil
e consumido
por toda experiência
que possa ter valido a pena!
Eis a vida que não deixarei de viver:
Hei de magoar,
hei de ser magoado também!
Hei de ser torpe por vezes,
e nobre quando convier,
como todos os outros o são!
Hei de esquecer
e de ser esquecido
e hei de estar vivo,
ao menos em parte de mim,
em todo verso que escreva,
e em cada banho de chuva
que minha pele sentir!
Hei de ser mais vivo
que o verme que roerá minhas entranhas,
pois nenhum perdão vale a pena,
e nenhuma abstenção trará glória alguma!
Eis o relato prévio de minha lápide:
Não ousei poupar ninguém de sofrer,
nem a mim mesmo!
Jamais pude ser injusto para tal:
Estive ocupado demais vivendo o tempo que tive!
Tomem de mim os restos, vermes! Nada mais de mim terão,
Que não os restos de minha carcaça
podre e pútrefa
como tudo o mais que habita
este mundo insano e vil.
sábado, 19 de maio de 2012
A rua
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Seu
Seu
Nem o ar que infla seus pulmões
Nem a água que compõem
os tecidos e órgãos
Nem o cálcio que forma
ossos
Tudo foi emprestado,
roubado da mãe Terra
Nem você é seu
Porque nada é
real e definitivamente
"seu".
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Dar-te-ei o mundo
Trouxe o dia nas costas
e o peso do mundo nos ombros
e escondeu cada dissabor e lamento
num suspiro mudo
pois o pequeno dormia
silencioso e calmo
como ontem e anteontem
e antes e sempre, dormia.
Os cachos e os sonhos do inocente
docemente acomodados
no travesseiro de Camomila:
"Hei de te dar o mundo, meu filho
e o brinquedo mais bonito!
O melhor berço azul!
Na mais colorida das festas,
o mais chocolate dos bolos!
E adornos de toda sorte
enfeitarão as prateleiras do teu quarto
E terás enfim tudo!"
...
Foi-se cedo.
Ninguém esperava
e nada levou
e seu rosto já não escondia
nem as preocupações da vida
nem as noites que não dormiu
E no meio daquela gente
o pequeno então sorriu
e apontou para a grande e preta caixa:
"Mamãe, por que papai não acorda?"
E o anjo sentou ao chão
e brincou com seu caminhão verde:
Uma velha e enferrujada
lata de ervilhas vazia.
domingo, 18 de dezembro de 2011
A escuridão dos dias de sol
em ser mais que barro e vontade
e meia verdade livre de sentir
Tanto mais anseie
de todo o meu coração
ver nisso que penso que sou
mais que processo e sentido
Quanto mais moleste
a parte disto que pensa que pensa
prisão de mim em mim mesmo
mais percebo o quão limitado sou:
Sou isso a que chamam de humano.
Quanto mais dobro as palavras
quanto mais as malho e forjo
mais dúvidas moldo
Quanto mais liberto as palavras
mais nesgas de luz-mentira
pelas persianas da consciência
atravessam
Os dias de intenso sol são os mais escuros:
Mesmo onde haja abundante luz
tudo o que eu vir será reflexo de luz
e será mentira que inventei
para esquecer que existo
sem saber por que...
terça-feira, 19 de julho de 2011
Para resolver os problemas de arrecadação no mundo...
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Eu palavra
palavras que me deixam
para ganhar o mundo?
Valor algum às palavras:
apenas ao que sinto
quando as deixo ir.
...
Vai palavra
e leva de mim o pouco
o pouco que cabe em ti:
E deixa de mim o eu
o eu que de mim não larga
o eu que define o ego
esse eu que de mim é chaga!
Deixa de mim o eu
o eu que de mim é chaga
pois no eu que define o eu
vive o eu que mais agrada:
Palavra fadada a morrer muda.
domingo, 24 de abril de 2011
Pensamento número 5:
quarta-feira, 23 de março de 2011
Vento-Verso
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Habite-se
por vezes, sem cor,
noutras, bonito,
Tem peso de ar,
e cheiro de vento...
E feito do que invento,
nada tem de constrito,
é ilimitado, infinito,
feito do que imagino...
O mundo que frequento,
é mundo do aprendiz,
feliz poeta, Desatino!
Tão sem fronteiras,
eiras ou beiras,
um mundo irrestrito!
Sem mentira ou verdade,
e nada de tiranias,
e sim gosto de liberdade!
Feito de fantasia,
sem traumas ou apatias,
n'alma está recluso,
esse mundo tão confuso...
Minha droga mais querida,
minha fuga preferida,
disso tudo, anestesia,
é decerto esse meu mundo,
conhecido por Poesia...
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Pensamento número dois
Geralmente o prazer é bem menor do que parecia no início do caminho.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Estocástico
(e o pobre Zé Morreu),
e dado que o Zé não sou eu,
fustigar o tempo que falta...
variável aleatória e peralta,
de um processo estocástico,
que eu não controlo,
ou processo de Pois(s)on,
independente e distribuído identicamente,
o tempo restante é uma variável aleatória,
(e sem memória)
não depende do quanto vivemos,
o tempo que inda temos...
Poisson para os saltos,
amplitudes variam, para cima e baixo,
como Poisson composta,
na roleta da existência,
cada aposta,
esperança desconhecida, e função não conhecida,
de probabilidade cumulativa,
para o tempo que resta de vida...
E um dia, o 1 chega...
sábado, 14 de agosto de 2010
Sinceridade
com tantos valores perdidos,
sobra a lembrança afável,
de dias melhores vividos...
De canto, quase esquecidos,
tal qual uma roupa surrada,
sentimentos que davam sentido,
ao respirar de quem foi vivo,
e nunca serviu de manada,
quem da razão sempre fez crivo:
Perdeu-se a sinceridade,
nas artes, atos, palavras:
Não se lavram mais as verdades,
que a vaidade humana entrava...
...visando opulência e riqueza,
em detrimento de decência e firmeza,
de caráter, justiça e verdade,
mataram a dama mais bela:
Enterraram a sinceridade.