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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Paragens

Pedi ao vento que trouxesse amor,
e ele fez de mim poesia,
preu buscar o amor noutras paragens,
mas tudo o que via eram tuas imagens,
nessas damas que encontrei pelo caminho,
e minuano frio, segui sozinho,
e minha mente confusa pra mim mentia,
pois se eram as tuas imagens o que eu via,
sentia não amor, mas sim saudade,
falta e dor que só por maldade,
covarde em meu peito se instala e abriga,
me entala e maltrata e minha alma fustiga,
buscar-te nas outras, cidade em cidade.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Baú

Pedi à lembrança um sorriso teu,
e ela me fez feliz:
Quis do tempo que parasse neste instante.

Não havia mais o que ver ou sentir:
Teu sorriso basta.

Não há mais mistério que importe,
não há mais Norte a seguir,
nem morte a temer,
pois teu riso, teu riso é a razão de haver,
átomos e ondas, matéria e energia:

Teu riso é cria e razão de ser do Universo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Brevidades

Seja breve o vento que te traga,
e morno o beijo que te anuncia.
E queime em mim o calor que apaga,
saudade que é chaga, e me angustia.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Massenteió

Estive em Maceió, só.

Em meio,
ao passeio
vi gente que ia
e vinha...

Destinos traçados
rotas prontas, tontas
E vãos, vão:
Feito formigas

...tribalhando...

Cada qual correndo
tanto mais
pelas coisas que lhes convém,
ceneuras que inventam
e perseguem
para azer do que comer,
para ter com o que correr...

E eu ali,
obO-ser-pensando(ente)
de-mente
em cenouras e sonhos,

...e neuras....

E em Maceió,

Só.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ventar


Lá fora o vento venta
como quisesse ser ouvido
no gemer dos galhos da figueira frondosa

lá fora o vento venta
como quisesse ser visto
no fremir dos vidros da janela velha
ou no balançar dos vestidos
das pressas que passam

lá fora o vento venta
cantiga que é canto e conta
donde ele veio e pr’onde vai

e aqui dentro o vento
que venceu a janela
e balançou a cortina
toca meu rosto
como quisesse ser sentido...

e o vento que é sentido
visto e ouvido
não sente, nem vê ou ouve
mas houve:
nos vidros e vestidos
nas copas e cortinas
e em mim,

frio como estou...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Da tua falta


Quantas sementes de amor
perdidas pelo caminho...

tantas quanto foram
as noites varadas
distraído pelo encontro mágico
das pontas dos teus dedos
nos cabelos meus

e isso que não te ama
mas odeia a falta de ti
que é presente e te vê
como a moldura de um belo passado
pintado em tons de desejo e ardor

isso que é mente e alma
e que odeia a falta de ti
e tem a tristeza cega
de não saber amar direito

...nem mesmo a isso que versa...

isso que contigo aprendeu
a gostar de caqui
que contigo sentiu o pulso do mar
em cada gotícula-pele
quando as vagas vieram ter às furnas...

isso não vê pior castigo
que privar-se de ti
e de tudo que veio contigo
pois isso odeia a falta de ti
mais do que odeia a isso mesmo
por odiar a falta de ti.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O dia em que a noite perdeu

quis ouvir o silêncio
mas essa noite não pára
não tarda barulho ou outro
em visitar minha sacada...

verdes folhas das palmeiras
vestidas de cinza escuro
estalam ao gosto do vento frio
que açoita minha janela.

quis ouvir quem deixou a noite
para sempre morrer nos passos
de um passante desavisado...

noite fajuta essa!
nem pereceu noite:

o horizonte sequer foi negro
e o céu não mostrou estrelas
só cinza-chumbo-sem-graça
por trás das árvores-casas-latidos

e eu a li e batizei:
o dia em que a noite perdeu
o silêncio
o viço
e o breu...

e o encanto.

domingo, 4 de julho de 2010

Responde então, Dulce Maria

Respondera Dulce Maria,
ao marinheiro que tanto amava..

No teor de sua poesia,
saudade nos dias que contava...

E a solidão que então sentia,
de seus versos emanava...

...

“Em noites de meu pensar,
brilha estrela solitária,
ante o pesaroso luar...

Minh'alma temerária,
suspira ao vislumbrar,
quem te orienta ao navegares...

Avistar a estrela Polar,
só faz aumentar suspiros,
invés de mitigar pesares...

Noticias a mim tua morte,
e como esperas que me sinta?

Esperas que então eu minta,
que diga ser tão forte,
que possa seguir em frente,
que teria ainda um norte,
ou poderia ser contente,
Longe de teu peito?

Partistes contra a vontade,
desta que então te escreve,
logrei a Deus piedade,
de trazer-te são, em breve...

Mas o mar que de mim te leva,
e a Dama que se aproxima,
o desfecho que então se enleva,
é fadar de dor minha sina...

Não verte-ei chegar ao porto,
em lustroso madeiral, morto,
posto não suportaria...

Meu Ulisses, amor meu,
antes que morto a mim te tragam,
por veneno... morro eu!

domingo, 13 de junho de 2010

À Dulce Maria

Ao saber que morreria,

escrevera à razão de suas alegrias,

que atendia por Dulce Maria,

o experiente Marinheiro...



...


"À Querida de meus versos, minha Dulce Maria:




Em cada porto que ancoro,

Em toda boca que beijo,

teus lábios é o que devoro,

pois tudo o que mais ensejo,

é um muito de teu sabor,

e um mundo de teu furor!


Nem um pouco, nem um naco,

serei louco, se for parco,

o quanto disso de ti eu tiver...


Venha isso como vier,

que seja intenso e verdadeiro,

aos borbotões, mas muito mesmo,

tão forte, tão por inteiro,

que leve a vagar a esmo,

o mais vivido dos marinheiros!


Tal qual nau a deriva,

na imensidão do mar perdida,

esse sentir que então não priva,

nem teme qualquer ferida,

tal sentir, que não se esquiva...


Peito aberto, rumo o desconhecido,

Busco o sentir que traz à vida,

aquele sentir mais desmedido,

daquele querer, tão sem medida!


Já não sou eu tão mais forte,

me tire da escuridão inerte,

dê-me portanto um norte,

pois sei a data que vem a Dama...


...Aquela que não aceita flerte..."

domingo, 30 de maio de 2010

Saudades de meu amor

Saudades de meu amor,
meu amor que sequer existe,
faz de mim alguém mais triste,
a cada dia que não vem.

Meu amor que então me tem,
pensando ao longo do dia,
o quanto bom seria,
uma carícia desse meu bem...

Não demores, meu amor,
estejas onde estiveres,
sejas você quem for,
mas traga quando vieres,

O carinho de que preciso,
o cafuné que tanto quero,
e alguma falta de juízo...

Isso é tudo que de ti espero...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Árvore seca

Quase inerte,
a despeito de qualquer vento,
destoa no firmamento,
qual paisagem nalguma arte...

Tão sóbrio canto,
seus galhos então estalam,
forma-se triste poema,
que os ventos então embalam...

Pouco ela se move,
alegria alguma finge,
posto que todos comove,
o canto que ela inflige...

Seu hino tão solitário,
vem de além da velha cerca,
ser por natureza gregário,
entoa seu corolário:
A solidão da árvore seca.