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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Coletivos de mim (poema coletivo)

*O poema abaixo foi feito por muitas mãos. As pessoas estavam em um bate-papo, e foram dizendo as frases e juntamos. O tema inicial era "Falta".


Lá fora é lua crescente,
e a tela é só tua ausência,
e se a tela me olha, nem estranho,
não te ver me levar à demência!

Tua falta me arde e me rasga,
essa dor que é saudade, e corrói,
se eu soubesse que amar tanto dói,
gritaria essa dor que me engasga!

Sozinha eu escuto o marulho,
desses nós de dentro mim,
como pôde o dizer do teu nome,
tão amado principiar o meu fim?

Se eu desejo apenas teu riso,
e nesse querer sempre me deparo,
é por ser caro esse amor que preciso,
e aos sete ventos por ti declaro!

Se sigo te querendo, e sou incompleto,
feito uma lástima num dia esquecida,
tenho o direito de fugir do teu tão perto,
pra não me ver num manicômio, enlouquecida!

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Do que sei do Céu

Como escrever sobre o céu,
se não o conheço?

Do céu entendem os pássaros,
que tem nele um destino e um convite,
liberdade viva,
e um confino, e um limite...

Do céu entendem as estrelas,
que por ele, na noite dançam,
e a lua, que reflete o sol que antes foi dia...

Que hei eu de saber do céu,
se no céu não vivo?

O que sei do céu,
é que dele Deus tirou a cor dos teus olhos,
e desde então, dos teus olhos tem o céu inveja.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Pouco a pouco

Te perderei por desatenção:
Pelo Presente negado,
assim, sutil.

Te perderei nos minutos de atraso,
nessas pequenas escolhas quanto a cor,
perfume ou lugar.

Talvez te perca por escolher a hora errada
de dizer a coisa certa,
ou por escolher a hora certa
de dizer desnecessarisinceridades...

Te perderei assim,
por não notar o que não importa.

Pouco a pouco, sem Querer,
quase que não querendo,
é assim que te perderei:
Pequenas prestações de conta velha
que o tempo cobra,
como obra que um artesão esculpe,
em cada entalhe-detalhe,
despretansiosa e minuciosa-mente.

palavradas

palavras aladas
atadas por cordas,
saem, em hordas,
de dentro de mim,

contando que

palavras lavradas,
presas à terra,
enraízam quem erra,
dentro de mim,

doendo, porque

palavras mentidas,
mentira-esparrela,
chegaram-se dela
e armaram-se em mim,

preu cair, morto.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Tequisla

Sal,
pele,
limão,
lábio,
língua.
Te
quis,
lá:
Tequila.

sábado, 19 de março de 2016

Sêila

Que é a vida se não sonho que se vive?
E que é o sonho senão vida que se sonha?
Ser é saber do que se sente,
e sinto que és tão bela quanto a luz permite.

És indesculpavelmente bela, e mais
mais que o verbo alcança e o sentido percebe.
És indecifravelmente bela, e mais
mais que o distinguir o real do sonho permitiria saber.

É tanto que não sinto,
é tanto que não percebo,
é tanto que não distinguo.

Apenas é assim:
Eu apenas Sêila.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Paragens

Pedi ao vento que trouxesse amor,
e ele fez de mim poesia,
preu buscar o amor noutras paragens,
mas tudo o que via eram tuas imagens,
nessas damas que encontrei pelo caminho,
e minuano frio, segui sozinho,
e minha mente confusa pra mim mentia,
pois se eram as tuas imagens o que eu via,
sentia não amor, mas sim saudade,
falta e dor que só por maldade,
covarde em meu peito se instala e abriga,
me entala e maltrata e minha alma fustiga,
buscar-te nas outras, cidade em cidade.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Baú

Pedi à lembrança um sorriso teu,
e ela me fez feliz:
Quis do tempo que parasse neste instante.

Não havia mais o que ver ou sentir:
Teu sorriso basta.

Não há mais mistério que importe,
não há mais Norte a seguir,
nem morte a temer,
pois teu riso, teu riso é a razão de haver,
átomos e ondas, matéria e energia:

Teu riso é cria e razão de ser do Universo.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Aos enamorados

Teus braços,
e os meus:
São laços;

Teus passos,
e os meus:
Compasso;

Teus beijos,
e os meus:
Amasso;

Tua noite,
e a minha:
Cansaço;

Tua vida,
e a minha:
Um paço;

Teu tempo,
e o meu:
Espaço.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Lero

Morena:

Sê minha Roma
E me chama de Nero
Que eu te incinero.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Dos meus sonhos

Prenderam as ovelhas
que eu contava pra dormir
nas meninas dos teus olhos.

Pois são elas o que vejo
quando cerro os meus...

E o teu abraço roubou de mim
todas as angústias do mundo
e o colorido do arco-íris
tomou conta de minha Vontade...

E já não há cinza em meus sonhos
só o púrpura e amarelo
e um azul que o céu inveja...

O dia

Quero o teu dia perfeito.
Então pedi aos pássaros que cantem
pelos canteiros por onde passares...

Mas os pássaros são livres,
pois apenas livres serão pássaros,
e só assim seriam belos
e dignos do dia que te desejo.

Mas quero o teu dia perfeito.
Então pedi ao sol que encontre a chuva,
e leve arcos-íris por onde ires....

Mas a chuva é livre,
pois apenas livre a chuva semeia vida à terra,
e apenas um dia repleto de vida
é digno de ser o dia que te desejo.

Mas inda quero teu dia perfeito.
Então o aceito como perfeito,
tenha ele ou não
pássaros ou canto ou sol ou chuva.

E então serei livre
e só assim digno
de estar no dia que te desejo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Brevidades

Seja breve o vento que te traga,
e morno o beijo que te anuncia.
E queime em mim o calor que apaga,
saudade que é chaga, e me angustia.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Noutras

Às vezes acho que não a-mei
E às vezes acho que a-mei demais
E às vezes, não acho nada

E Noutras, eu nem procuro.

terça-feira, 12 de março de 2013

Fugaz

10/09/2010

Vou fugir.
covarde é o partir
mas escolha não tenho!

O que vem de ti me prende
como jamais algo fizera
e embora prender-se eu quisera,
de aprender minh'alma não cansa:

Meu coração é meio criança
Que com doce logo se agrada...

Preciso de amores impossíveis, inspirações torpes e noites bêbadas.

Não de aconchego e carinho.
Preciso da falta de ninho
preciso ser só e triste
pois poesia alegre não existe
(ao menos não boa poesia!)

Ao turbilhão se forja o poeta!
Nasce da inquietude secreta,
da ausência de calma,
e da beleza dileta
da tristeza profunda...

Saibas: Uma alma ingrata, é poesia inata!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Da tua falta


Quantas sementes de amor
perdidas pelo caminho...

tantas quanto foram
as noites varadas
distraído pelo encontro mágico
das pontas dos teus dedos
nos cabelos meus

e isso que não te ama
mas odeia a falta de ti
que é presente e te vê
como a moldura de um belo passado
pintado em tons de desejo e ardor

isso que é mente e alma
e que odeia a falta de ti
e tem a tristeza cega
de não saber amar direito

...nem mesmo a isso que versa...

isso que contigo aprendeu
a gostar de caqui
que contigo sentiu o pulso do mar
em cada gotícula-pele
quando as vagas vieram ter às furnas...

isso não vê pior castigo
que privar-se de ti
e de tudo que veio contigo
pois isso odeia a falta de ti
mais do que odeia a isso mesmo
por odiar a falta de ti.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Lirismo

Se faltam palavras
é porque sobra lirismo
em teus beijos

Se o verso fugiu de mim
é porque se escondeu
no balançar de tuas cadeiras

Se a poesia se escondeu de mim
fez morada onde não a posso tocar
bem dentro do meu coração
ao lado de uma prece que leva teu nome:

C. P. H.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Tixa

Calo teus lábios
beijo tua prece
e tomo teu sono

Torno teu sonho
mundo meu
por agora

De terras minhas
as ancas tuas
e cada desejo teu

Sou mão que semeia
o solo fértil
chuva que fustiga
os campos e a relva
e também vento morno

que poliniza tuas videiras

Meu mundo é tu
e teu fruto-ventre
alimenta eu Ímpeto:
Perpetuo-me.

Tua boca emutece o suspiro
tudo mudo no fim de tudo
nem mais mundo
nem mais prece:

Apocalip-se.

A. E.

Desta feita a vi
dobrar a esquina
de um sonho meu.

Tudo era cinza
e tardio inverno.

Garoa e pele
lembravam:
eu vagava por lá.

De um tudo havia:
Pessoas medrosas
fugindo da chuva
e faróis acesos
apontando onde
a pressa alheia mandava.

E lá eu andava:
Sorrateiro seguia
tuas rotas pelas poças...

E eu lá estava:
Entre passos e moças
barulho e tumulto
febre de pressa
e delírio de horas:
Neurose coletiva dentro de mim.

E de cada si
natureza morta
compunha o cenário:
Imaginário...

E a chuva teimou
em lembrar que eu sentia:
Fria...

[...]

E se meu sonho sou eu
e teu sorrir salvação?
É certo saber o que amo
se mal sei que sou?

[...]

Onde quer que vague
levo comigo anseios de ti:
Colorir de meus sonhos.

sábado, 12 de março de 2011

Amante

Teus olhos põe ordem
no caos que sou:
Sereno perto de ti.

E teus lábios esculpem
em traçado ameno
doce convite aos meus...

Te beijo e beijas
e sorris para mim:
Quase morro de amores!

Vontade minha é nascer
e nascer e nascer dia a dia
e poder morrer em teu beijo
e descansar nas covas do teu riso

para todo o sempre.