Abraço a tristeza
como uma velha amiga
que me traz versos.
Flertamos,
antecipando um coito
impuro e incomedido.
Trepamos.
No fim,
ela me abraça,
e não me quer deixa ir:
Diz que sente minha falta,
que tem saudades de meus versos,
e que eles eram tão seus,
e que tem ciúmes das coisas,
segundo ela menos bonitas,
que tenho escrito às outras.
Ela diz que gostaria de estar
nas linhas que tenho escrito,
e diz que éramos um,
feito carne e unha.
Eu a fito,
nua,
e sorrio.
Eu a fito e olho dentro dela
com a propriedade de quem a conheceu
como poucos.
Olho dentro dela
apenas por olhar,
sem rancor ou saudade.
Estamos ali,
ocupando o mesmo quarto,
mas não mais a mesma alma.
Eu a solto e me afasto,
e ela se vai, silenciosa.
E,
enquanto termino esses versos,
já somos estranhos.
Mostrando postagens com marcador Entendimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Entendimento. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 27 de setembro de 2016
Tristranhos
terça-feira, 24 de maio de 2016
Lótus
Da lama, vem o dilema,
drama, então seiva bruta,
subindo pelo xilema,
pra ter na folha a labuta.
Glicose a folha comuta,
de água, carbono e luz,
floêmica seiva produz,
nobre, limpa, impoluta,
que descendo, pelo floema,
conduz a planta à permuta,
pela seiva-saber-poema,
que a alma toca e transmuta!
Quão sábia é a natureza,
resultar de tanto labor,
profunda e bela pureza,
da Lótus, divina flor!
drama, então seiva bruta,
subindo pelo xilema,
pra ter na folha a labuta.
Glicose a folha comuta,
de água, carbono e luz,
floêmica seiva produz,
nobre, limpa, impoluta,
que descendo, pelo floema,
conduz a planta à permuta,
pela seiva-saber-poema,
que a alma toca e transmuta!
Quão sábia é a natureza,
resultar de tanto labor,
profunda e bela pureza,
da Lótus, divina flor!
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Do absurdo
O absurdo está onde não estamos.
sábado, 21 de maio de 2016
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Subnominando
A cena diz mais de mim
e de tu, que dá cena.
No truque que encena,
no homem cruzando o beco,
eu vejo um ladrão,
o sindicalista um peão,
e o mendigo, pirão.
Pra cena, beco no homem,
todo mundo é ator:
O ladrão e o peão,
o mendigo e a fome;
Pra cena, beco do homem,
todo mundo é ator,
sendo ou não dor,
tendo ou não nome;
Na cena-beco, nu o homem,
o homem é o beco,
e o beco é o homem.
e de tu, que dá cena.
No truque que encena,
no homem cruzando o beco,
eu vejo um ladrão,
o sindicalista um peão,
e o mendigo, pirão.
Pra cena, beco no homem,
todo mundo é ator:
O ladrão e o peão,
o mendigo e a fome;
Pra cena, beco do homem,
todo mundo é ator,
sendo ou não dor,
tendo ou não nome;
Na cena-beco, nu o homem,
o homem é o beco,
e o beco é o homem.
quinta-feira, 7 de abril de 2016
CheuVer
Estruturam-se atordoados de átomos,
brotam conglomerados de células,
terrenos onde somos condomínio de ideias.
Será que chove?
brotam conglomerados de células,
terrenos onde somos condomínio de ideias.
Será que chove?
segunda-feira, 28 de março de 2016
Realiverdades
Observo a folha.
Ela está mais verde que o normal,
ela está mais folha que o normal,
ela está mais verde do que folha.
Observo a mim observando a folha.
Que sou eu e o que é folha?
Seria a folha o verde que a folha pintou em mim,
ou seria a folha o verde que pinto em mim ao ver a folha?
Somos o ver da folha,
e há folhas verdes porque as vejo,
e há um eu porque voz em vós as vedes.
Ela está mais verde que o normal,
ela está mais folha que o normal,
ela está mais verde do que folha.
Observo a mim observando a folha.
Que sou eu e o que é folha?
Seria a folha o verde que a folha pintou em mim,
ou seria a folha o verde que pinto em mim ao ver a folha?
Somos o ver da folha,
e há folhas verdes porque as vejo,
e há um eu porque voz em vós as vedes.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
33
Me movo
pelo mundo ou o mundo se move por mim?
Passo pelo
mundo ou o mundo passa por mim?
Sou parte
do mundo ou o mundo é parte de mim?
Sou parte
do mundo ou o mundo parte de mim?
São 33
anos,
são 33
vidas,
às vezes
mais e noutras menos,
são.
Passo pelo
tempo,
E o tempo é
o lugar que o espaço ocupa:
O tempo é a
forma de não pirar da cuca.
São 33
anos,
são 33
vidas,
às vezes
mais e noutras menos,
louco.
Passo pelo
tempo,
e no tempo me
movo e estou contido:
O tempo é o
meio em que sou vivido.
Me movo
pelo tempo ou o tempo se move por mim?
Passo pelo tempo
ou o tempo passa por mim?
Sou parte
do tempo ou o tempo é parte de mim?
Sou parte
do tempo ou o tempo parte de mim?
São 33
anos,
são 33
vidas,
às vezes
mais e noutras menos,
lúcido.
Passo pelo mundo,
E o mundo é
o lugar que o tempo acontece:
O mundo é o
agora que o processo merece.
Me movo
pelo processo ou o processo se move por mim?
Passo pelo processo
ou o processo passa por mim?
Sou parte
do processo ou o processo é parte de mim?
Sou parte
do processo ou o processo parte de mim?
Mundo,
tempo, processo,
amor, espaço
e divino,
enquanto no
tempo não cesso
(e espero
que tarde o Destino),
pelo
Presente, presente passo,
atento ao que
passa pelo cristalino:
São 33 anos,
são 33 perspectividas.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Estando
Sou estar.
Um estar
constante e perecível,
e um tanto
sensível à lua cheia,
sou coração
e alma e processo,
e pele e
carne e sangue e veia,
que pelo
tempo trilha:
Sou essa
ilha, sou essa aldeia,
em meio ao
instante gasto,
e não sou
puro e nem sou casto,
nem alheio
ao pasto e ao ar,
por ser vida
e biologia,
levo essa
Vontade de arrasto,
bastarda
filha do respirar,
se
expandindo pelo lastro,
desse escuro
e vasto Universo:
Sou de Deus
o Verbo e o Verso,
divino réu
confesso vagando errante,
uma
ilha-aldeia em meio ao instante,
que nem sabe
porque existe.
Mas sou
feito de amor e éter,
que por ter
sido e ser, insiste,
em viver por
respirar,
e respirar
por aprender.
Sou crença
que perpetua no tempo,
por insistir
e crer que há razão de perpetuar-se,
nada mais,
nada menos:
D'Eus.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
Dia de Sul
O sol repousa, manso,
sobre o campo verde,
e a garoa fina
perfuma a terra.
O que dizer que não disse o dia?
sobre o campo verde,
e a garoa fina
perfuma a terra.
O que dizer que não disse o dia?
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Do olhar
Todo olhar serve a escolha.
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Do real
O real é a sopa feita
de todas as coisas
que ingerimos de alguma forma,
e o real é a Energia que
se submete
à Norma de
estar no tempo.
O real é essa pintura
que fazemos,
dentro e sempre dentro de nós,
e sobre a tela que temos,
e com as cores das quais dispomos,
mal acabada, pobre e torta como somos.
O real é uma mentira
que contamos,
para a parte de nós que vê e sente:
Mentira rota sobre o que é o Presente.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Depois
Deixei tudo para depois:
O amor, os invernos, e os verões.
Deixei para depois o instante, a Dádiva,
e fui o depois que não chegou, o postergado.
Fui ter com o fim da vida,
como o faz todo esse gado
que anda e rumina: Fui o precipitado.
E fui o precipício para quem não disseram
que haveria um chão e um fim,
e cheguei.
E tenho hoje, sobre mim,
de terra, sete palmos,
e esses vermes que roem minha carcaça triste,
triste por ter sido como a criança
que no Natal prendeu-se à beleza do pacote:
Triste por ter sido a criança que esqueceu o Presente.
O amor, os invernos, e os verões.
Deixei para depois o instante, a Dádiva,
e fui o depois que não chegou, o postergado.
Fui ter com o fim da vida,
como o faz todo esse gado
que anda e rumina: Fui o precipitado.
E fui o precipício para quem não disseram
que haveria um chão e um fim,
e cheguei.
E tenho hoje, sobre mim,
de terra, sete palmos,
e esses vermes que roem minha carcaça triste,
triste por ter sido como a criança
que no Natal prendeu-se à beleza do pacote:
Triste por ter sido a criança que esqueceu o Presente.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Bonsai
Enxergar as coisas como são,
é a sabedoria de quem observa.
Deixar as coisas como estão,
é a sabedoria de quem entende.
Escolher das coisas como estão,
é a sabedoria de quem vive.
E aceitar as coisas como são,
é da sabedoria de quem ama.
E só quem observa, entende.
E só quem entende, aceita.
E só quem aceita, ama.
E só quem ama, vive.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Ser
Ser é saber do que se sente.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Do invento
Inventar é ventar dentro de si. Criar é ter velas.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
O dia
Quero o teu dia perfeito.
Então pedi aos pássaros que cantem
pelos canteiros por onde passares...
Mas os pássaros são livres,
pois apenas livres serão pássaros,
e só assim seriam belos
e dignos do dia que te desejo.
Mas quero o teu dia perfeito.
Então pedi ao sol que encontre a chuva,
e leve arcos-íris por onde ires....
Mas a chuva é livre,
pois apenas livre a chuva semeia vida à
terra,
e apenas um dia repleto de vida
é digno de ser o dia que te desejo.
Mas inda quero teu dia perfeito.
Então o aceito como perfeito,
tenha ele ou não
pássaros ou canto ou sol ou chuva.
E então serei livre
e só assim digno
de estar no dia que te desejo.segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Maya
Maya me leva à praia
e Maya me mostra o mar
E o mar é tão belo e falso
como Maya que o fez vibrar
Meu sentir que sinto ou temo
é o sentir que me faz pulsar
meu sentir é tão falso e pleno
quanto Maya que fez o mar.
e Maya me mostra o mar
E o mar é tão belo e falso
como Maya que o fez vibrar
Meu sentir que sinto ou temo
é o sentir que me faz pulsar
meu sentir é tão falso e pleno
quanto Maya que fez o mar.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Do eu.
Todo eu é uma invenção de um tu.
sábado, 13 de setembro de 2014
Ente
Ver antes de ler: https://www.youtube.com/watch?v=pKdJ3LjizpM&nohtml5=False
E Deus é deus
E deus é o cão
e o peixe
e o cão que tentou salvar,
ou enterrar,
o peixe.
E quem riu do cão que tentou
salvar ou enterrar o peixe
E o riso, e o som do riso
que pelo ar chegou ao tímpano
de quem ouviu o riso
que é Deus tanto quanto o tímpano...
E Deus é todo o ar
que o peixe não pode respirar
por não haver água nele...
E a água do chão, insuficiente
também foi Deus e o é agora
na nuvem ou no rio ou no esgoto.
E ele é o filme sobre o peixe morto
que o mistério da vida que não se questiona
tentou reviver
enquanto o mistério da vida que se questiona
filma e ri.
E Deus é deus
E deus é o cão
e o peixe
e o cão que tentou salvar,
ou enterrar,
o peixe.
E quem riu do cão que tentou
salvar ou enterrar o peixe
E o riso, e o som do riso
que pelo ar chegou ao tímpano
de quem ouviu o riso
que é Deus tanto quanto o tímpano...
E Deus é todo o ar
que o peixe não pode respirar
por não haver água nele...
E a água do chão, insuficiente
também foi Deus e o é agora
na nuvem ou no rio ou no esgoto.
E ele é o filme sobre o peixe morto
que o mistério da vida que não se questiona
tentou reviver
enquanto o mistério da vida que se questiona
filma e ri.
Assinar:
Postagens (Atom)