terça-feira, 12 de agosto de 2014

Meu teclador

Meu teclado
Estáava estraado
E o poema

Saiu do brado

Verdes verdades II

O verde dos teus olhos
serenava minha alma
Tudo era lago tranqüilo
em manhã de Outono.

Hoy sem teus olhos
Soy turbilhão
sem dó de nada,
nem Do que diz.

Sou como a tristeza que vaga
num catiço que perambula
tenho ao peito dor que esmaga
esta Vontade, já quase nula.

Eis meu verso e o que é
só  suspiro do que fogou-se
na verde maré dos olhos teus.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Massenteió

Estive em Maceió, só.

Em meio,
ao passeio
vi gente que ia
e vinha...

Destinos traçados
rotas prontas, tontas
E vãos, vão:
Feito formigas

...tribalhando...

Cada qual correndo
tanto mais
pelas coisas que lhes convém,
ceneuras que inventam
e perseguem
para azer do que comer,
para ter com o que correr...

E eu ali,
obO-ser-pensando(ente)
de-mente
em cenouras e sonhos,

...e neuras....

E em Maceió,

Só.

Hoy

Hoje você vai me ouvir
e hoje você vai ouvir minha alma
e hoje eu vou estar aqui
na mais plena e possível
manifestação de mim

Hoje eu serei eu
e mais ninguém

E hoje eu serei o amor
na mais pura forma possível

Hoje eu serei o que sempre quis ser
amor puro e incontido,
prosema desmedido...

Hoje o dia é rosa
e hoje é o Amor quem toma
cada célula do meu corpo,
cada canto da minha alma

Hoje é amor, nada mais
assim, solto, sem pensar
o amor de mim indo ao papel
em cada palavra
em cada dedo
que toca a tecla

Isso sou eu hoje
e tu estás
e só tu estás
em mim

Só tu és o que não sou
e o que não é amor
em mim
e só tu és
o que em mim
gera amor

E só tu habitas
meu coração morno.


Eu te amo.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Estes

Este
que sabia que pensava
e pensava o que via

criou o Êste
que pensa que sabe
e vê o que pensa

E desde este então
nenhum destes soube

Ser

o que sabe do que sente
e que vê o que vê
por esquecer de pensar.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Fênix

À esquerda a noite emprestou,
ao mar, antes azul, um cinza chumbo.
E à direita, o entardecer trouxe ao céu,
todos os laranjas do mundo!

E eis a paisagem que fez de mim,
De novo aquele quem versa...

E juro que pensei em ti,
quando surgiu a primeira estrela...




Aracaju, 10/2013.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ventar


Lá fora o vento venta
como quisesse ser ouvido
no gemer dos galhos da figueira frondosa

lá fora o vento venta
como quisesse ser visto
no fremir dos vidros da janela velha
ou no balançar dos vestidos
das pressas que passam

lá fora o vento venta
cantiga que é canto e conta
donde ele veio e pr’onde vai

e aqui dentro o vento
que venceu a janela
e balançou a cortina
toca meu rosto
como quisesse ser sentido...

e o vento que é sentido
visto e ouvido
não sente, nem vê ou ouve
mas houve:
nos vidros e vestidos
nas copas e cortinas
e em mim,

frio como estou...

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

o gosto da chuva

gosto dos dias e dos ventos dos dias de chuva
tem tanta coisa num dia de chuva

que é preciso mais de um dia pra sentir...

terça-feira, 12 de março de 2013

Fugaz

10/09/2010

Vou fugir.
covarde é o partir
mas escolha não tenho!

O que vem de ti me prende
como jamais algo fizera
e embora prender-se eu quisera,
de aprender minh'alma não cansa:

Meu coração é meio criança
Que com doce logo se agrada...

Preciso de amores impossíveis, inspirações torpes e noites bêbadas.

Não de aconchego e carinho.
Preciso da falta de ninho
preciso ser só e triste
pois poesia alegre não existe
(ao menos não boa poesia!)

Ao turbilhão se forja o poeta!
Nasce da inquietude secreta,
da ausência de calma,
e da beleza dileta
da tristeza profunda...

Saibas: Uma alma ingrata, é poesia inata!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Da tua falta


Quantas sementes de amor
perdidas pelo caminho...

tantas quanto foram
as noites varadas
distraído pelo encontro mágico
das pontas dos teus dedos
nos cabelos meus

e isso que não te ama
mas odeia a falta de ti
que é presente e te vê
como a moldura de um belo passado
pintado em tons de desejo e ardor

isso que é mente e alma
e que odeia a falta de ti
e tem a tristeza cega
de não saber amar direito

...nem mesmo a isso que versa...

isso que contigo aprendeu
a gostar de caqui
que contigo sentiu o pulso do mar
em cada gotícula-pele
quando as vagas vieram ter às furnas...

isso não vê pior castigo
que privar-se de ti
e de tudo que veio contigo
pois isso odeia a falta de ti
mais do que odeia a isso mesmo
por odiar a falta de ti.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Poema sem nome

tenho todo o espaço
e o tempo inteiro
sou luz sem vela
nau sem timoneiro

destino sem causa
pensamento sem freio
cometa sem cauda
estampido sem meio

sou meio de mim
e no fim, recomeço
não vivo nem morro:
aconteço.

Rosamarelouro

O dia amanheceu cinza
e ela viu pela janela
o leve estalar dos galhos
das árvores do pomar

E quis o dia mais bonito
fugir do cinza
e ser mais leve que o ar
e no sonho se fez balão.

E o vento consentiu
e partiu a menina-balão
a colorir o céu
com seu rosamarelouro...

E sobre o azul-imensidão
ao sabor do vento-brisa,
jogou bola com os deuses
e sorriu, enfim livre...

Afago

Meu pensamento suprimiu o espaço
cavalgou o etéreo e te encontrou,
em meio a um sonho meu!

E eram flores que vinham de ti
coloridas e perfumadas e em profusão

E senti o sentir de um afago teu:
Um arrepio do início ao fim d'alma
seguido da paz de um Buda
em cada canto do meu espírito.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Antiode aos vermes

Se eu passar pela vida
sem cometer erros
ou sem esquecer
coisas importantes
sem magoar alguém que não mereça
ou sem ser magoado,
por certo não terei vivido
nem um segundo
do tempo que dispus.

Aos vermes deixarei,
meu corpo inútil
e consumido
por toda experiência
que possa ter valido a pena!

Eis a vida que não deixarei de viver:
Hei de magoar,
hei de ser magoado também!
Hei de ser torpe por vezes,
e nobre quando convier,
como todos os outros o são!

Hei de esquecer
e de ser esquecido
e hei de estar vivo,
ao menos em parte de mim,
em todo verso que escreva,
e em cada banho de chuva
que minha pele sentir!

Hei de ser mais vivo
que o verme que roerá minhas entranhas,
pois nenhum perdão vale a pena,
e nenhuma abstenção trará glória alguma!


Eis o relato prévio de minha lápide:
Não ousei poupar ninguém de sofrer,
nem a mim mesmo!
Jamais pude ser injusto para tal:
Estive ocupado demais vivendo o tempo que tive!

Tomem de mim os restos, vermes! Nada mais de mim terão,
Que não os restos de minha carcaça
podre e pútrefa
como tudo o mais que habita
este mundo insano e vil.

sábado, 19 de maio de 2012

A rua


Meu passado não pertence a mim
já não sou eu naquelas fotos
empoeiradas nas gavetas

Voltei para ver a velha rua
mas tudo mudou tanto
caiaram as casas
podaram as árvores
a figueira cresceu
e abraçou a calçada e o asfalto.

Mas as pessoas rumaram
outras vidas, outros ares, lugares
só a velha rua ficou
inerte, para contar a história
que já não pertence a ninguém.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Seu

Seu


Nem o ar que infla seus pulmões

Nem a água que compõem

os tecidos e órgãos


Nem o cálcio que forma

ossos


Tudo foi emprestado,

roubado da mãe Terra


Nem você é seu

Porque nada é

real e definitivamente

"seu".

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Lirismo

Se faltam palavras
é porque sobra lirismo
em teus beijos

Se o verso fugiu de mim
é porque se escondeu
no balançar de tuas cadeiras

Se a poesia se escondeu de mim
fez morada onde não a posso tocar
bem dentro do meu coração
ao lado de uma prece que leva teu nome:

C. P. H.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Dar-te-ei o mundo

Trouxe o dia nas costas

e o peso do mundo nos ombros

e escondeu cada dissabor e lamento

num suspiro mudo

pois o pequeno dormia

silencioso e calmo

como ontem e anteontem

e antes e sempre, dormia.


Os cachos e os sonhos do inocente

docemente acomodados

no travesseiro de Camomila:


"Hei de te dar o mundo, meu filho

e o brinquedo mais bonito!

O melhor berço azul!

Na mais colorida das festas,

o mais chocolate dos bolos!

E adornos de toda sorte

enfeitarão as prateleiras do teu quarto

E terás enfim tudo!"


...


Foi-se cedo.


Ninguém esperava

e nada levou

e seu rosto já não escondia

nem as preocupações da vida

nem as noites que não dormiu


E no meio daquela gente

o pequeno então sorriu

e apontou para a grande e preta caixa:

"Mamãe, por que papai não acorda?"


E o anjo sentou ao chão

e brincou com seu caminhão verde:

Uma velha e enferrujada

lata de ervilhas vazia.

domingo, 18 de dezembro de 2011

A escuridão dos dias de sol

Tanto quanto me esforce
em ser mais que barro e vontade
e meia verdade livre de sentir

Tanto mais anseie
de todo o meu coração
ver nisso que penso que sou
mais que processo e sentido

Quanto mais moleste
a parte disto que pensa que pensa
prisão de mim em mim mesmo
mais percebo o quão limitado sou:
Sou isso a que chamam de humano.

Quanto mais dobro as palavras
quanto mais as malho e forjo
mais dúvidas moldo

Quanto mais liberto as palavras
mais nesgas de luz-mentira
pelas persianas da consciência
atravessam

Os dias de intenso sol são os mais escuros:
Mesmo onde haja abundante luz
tudo o que eu vir será reflexo de luz
e será mentira que inventei
para esquecer que existo
sem saber por que...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Do poema para a ideia 1:

O poder da palavra está onde a palavra falha. Quem quer que dela se valha,
é falho pois dela precisa: A palavra liberta enquanto escraviza.

domingo, 12 de junho de 2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Tixa

Calo teus lábios
beijo tua prece
e tomo teu sono

Torno teu sonho
mundo meu
por agora

De terras minhas
as ancas tuas
e cada desejo teu

Sou mão que semeia
o solo fértil
chuva que fustiga
os campos e a relva
e também vento morno

que poliniza tuas videiras

Meu mundo é tu
e teu fruto-ventre
alimenta eu Ímpeto:
Perpetuo-me.

Tua boca emutece o suspiro
tudo mudo no fim de tudo
nem mais mundo
nem mais prece:

Apocalip-se.

A. E.

Desta feita a vi
dobrar a esquina
de um sonho meu.

Tudo era cinza
e tardio inverno.

Garoa e pele
lembravam:
eu vagava por lá.

De um tudo havia:
Pessoas medrosas
fugindo da chuva
e faróis acesos
apontando onde
a pressa alheia mandava.

E lá eu andava:
Sorrateiro seguia
tuas rotas pelas poças...

E eu lá estava:
Entre passos e moças
barulho e tumulto
febre de pressa
e delírio de horas:
Neurose coletiva dentro de mim.

E de cada si
natureza morta
compunha o cenário:
Imaginário...

E a chuva teimou
em lembrar que eu sentia:
Fria...

[...]

E se meu sonho sou eu
e teu sorrir salvação?
É certo saber o que amo
se mal sei que sou?

[...]

Onde quer que vague
levo comigo anseios de ti:
Colorir de meus sonhos.

Produto

Que sou eu
senão fim
de meus meios?

Que é coragem
senão temer
ter receios?

Que é viver
senão privar-se
de anseios?

Que é distar
senão partir errante
ou manter-se distante?

E que é morrer
Senão ao pó voltar,
Triunfante?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Eu palavra

Posso chamar de minhas
palavras que me deixam
para ganhar o mundo?

Valor algum às palavras:
apenas ao que sinto
quando as deixo ir.

...

Vai palavra
e leva de mim o pouco
o pouco que cabe em ti:

E deixa de mim o eu
o eu que de mim não larga
o eu que define o ego
esse eu que de mim é chaga!

Deixa de mim o eu
o eu que de mim é chaga
pois no eu que define o eu
vive o eu que mais agrada:

Palavra fadada a morrer muda.

domingo, 24 de abril de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

Vento-Verso

tem vezes que me entendo
como um dia de inverno
e me prendo olhando o céu

pois sou eu naquelas palavras
atrás das nuvens nubladas
de um dia escuro e cinza

e faço de minhas moradas
todas as horas fadadas
a pintar na folha a paisagem

e nelas também me escondo
de mim que sou negras nuvens
e tempo.

Mas uso preto no branco
caneta e papel e tinteiro
nunca pincel ou ditos ou guache...

E para cada porção de segundos
dissipando uma nuvem distante
me escondo por horas, errante
até que um verso-vento me descubra
e eu enfim me ache.

sábado, 12 de março de 2011

Amante

Teus olhos põe ordem
no caos que sou:
Sereno perto de ti.

E teus lábios esculpem
em traçado ameno
doce convite aos meus...

Te beijo e beijas
e sorris para mim:
Quase morro de amores!

Vontade minha é nascer
e nascer e nascer dia a dia
e poder morrer em teu beijo
e descansar nas covas do teu riso

para todo o sempre.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Für Elise

a despeito da multidão
alarido de rua e de tudo
turbilhão de gente e povo
te encontraria sem ver-te.

Lá estarei
feito vulto
olhando inerte

em vigília de teus passos
um voyeur de teus jeitos
em cada passeio por onde transitas
em viela qualquer do bairro que habitas

guardarei eu um de teus lados
e dele farei minha morada:
Da tua esquerda a alma penada,
serei eu até o fim de teus dias...

O dia em que a noite perdeu

quis ouvir o silêncio
mas essa noite não pára
não tarda barulho ou outro
em visitar minha sacada...

verdes folhas das palmeiras
vestidas de cinza escuro
estalam ao gosto do vento frio
que açoita minha janela.

quis ouvir quem deixou a noite
para sempre morrer nos passos
de um passante desavisado...

noite fajuta essa!
nem pereceu noite:

o horizonte sequer foi negro
e o céu não mostrou estrelas
só cinza-chumbo-sem-graça
por trás das árvores-casas-latidos

e eu a li e batizei:
o dia em que a noite perdeu
o silêncio
o viço
e o breu...

e o encanto.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Viking

braços e remos
prumam...

estrela polar
horizonte escuro
destino incerto...

vento favor
proa no mar
remar sem cansar
rumar, rumar...

estalam, gemem
popa, proa e leme...

vela içada
seguir estrela
o Norte à frente

memória ingrata
saúda a dama
que em terra firme
aguarda a volta...

que volta?

Corpo indolente
traz para a luz
o vento que corta...

corta na carne
sem piedade
frio e infame
vento saudade!

o fim do mundo
nos aguarda
hordas sem fim
de bravos sem nome
em lanças-escudos...

e o fim de tudo
ao alcance das mãos,
num grito mudo...

Liberdade por fim!

um remar sem temer
num sangrar de saudades
da dama que abriga
o rebento que cresce...

domingo, 23 de janeiro de 2011

O dia em que as palavras sumiram

Choveu, e só fez chover,
Foi feio, feio e nublado,
e triste, triste de doer,
o dia que as palavras sumiram!

Partiram, e não de um lábio,
nem verteram, de pena alguma,
apenas foram-se, uma a uma,
feito fila muda, e desavisada.

Endereço ou recado deixaram,
nem agrado aos ouvidos,
sopraram...

O tempo de palavras fartas,
é tempo passado, são tempos idos...

Preposição alguma ficou:
Onomatopéias calaram,
Os sujeitos morreram,
e adjetivos perderam,
seus predicados!

Voltarão as palavras,
a adoçar meus ouvidos,
descrever-me a vida,
e aguçar meus sentidos?

Voltarão, períodos,
a compor partituras,
e em arroubos divinos,
recriar criaturas,
e matá-las depois?

Tornarão a escrever,
em barulhentas pinturas,
as loucuras e tolices,
sandices bem cruentas,
que prescindem de vós?

Voltem, palavras,
sois de muito a vazão:

Toda essa mente inquieta,
tem em ti maior precisão,
pois sois também a razão,
dessa vida tão completa,
de Aprendiz, Desatino,
e quiçá um dia, de Poeta.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Poema das Horas

Onde foram parar meus 27 anos?
Não lembro de tê-los vivido...
Onde estão escondidas todas as horas?

Será que estão nas demoras,
das filas de padaria?

Estariam nas emoções que descartei,
nos nãos que acatei, silencioso e resignado,
ou mesmo nos sins que falei,
a penas de ter concordado,
por concordar?

Por qual dedo fugiram, astutos minutos?

Ou ficaram presos à agonia muda de um orgulho bobo?
Ou no aguardo da perfeição que inexiste?
Ou será, que de forma mais triste,
estão na angústia de viver tal tempo perdido?

Quiçá estejam na tentativa vã,
de dar à vida algum sentido...

Ou tenham mesmo se escondido,
na letargia covarde de quem não partilhou de meu afã...

E em qual dos 27 verões,
foram parar meus segundos?
Deixei-os surdos em serviço de outrem,
Ou em noites mal dormidas, como as de ontem?

Onde estão vocês, horas mortas,
senão no aguardo de quem não veio,
ou no meio de um erro ou outro?

E farão sentir-se como falta,
quando isso estiver morto,
as horas de tantos desgostos?

Temo que sim...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Clara

Queres parar?

O fogo toma conta,
incendeia a floresta,
da fagulha não mais resta,
sequer alguma ponta!

Logo o fogo, incontrolável,
cerca, por todos lados,
e aflora de forma afável,
os mais doces dos pecados!

E eu te toco!

E me sentes,
mesmos, distantes,
estamos presentes...

Mesmo passados,
somos correntes...


E me prendes...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Habite-se

O mundo que habito,
por vezes, sem cor,
noutras, bonito,

Tem peso de ar,
e cheiro de vento...

E feito do que invento,
nada tem de constrito,
é ilimitado, infinito,
feito do que imagino...

O mundo que frequento,
é mundo do aprendiz,
feliz poeta, Desatino!

Tão sem fronteiras,
eiras ou beiras,
um mundo irrestrito!

Sem mentira ou verdade,
e nada de tiranias,
e sim gosto de liberdade!

Feito de fantasia,
sem traumas ou apatias,
n'alma está recluso,
esse mundo tão confuso...

Minha droga mais querida,
minha fuga preferida,
disso tudo, anestesia,
é decerto esse meu mundo,
conhecido por Poesia...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Palavra...

E queima, cor de sol...
e teima, ah, teima...
firme, pede passagem,
não perde viagem,
nem se arrepende...

A palavra é o que há,
e discretiza...
e escraviza...
tanto quanto um gosto,
ou um querer...

O poder da palavra está
onde a palavra falha...
quem quer que dela se valha,
é falho.

Palavra não é ato,
palavra não tem cheiro ou cor,
mas ela mostra o substrato,
ou tenta...

A palavra descreve,
a palavra se atreve,
levar adiante,
sua mais grave falha:
a palavra se atrapalha!
Por si só,
quando tenta explicar,
dificulta,
seja ela domada, seja ela culta...

A palavra quando sai,
já sai torta...
e quando chega,
chega...
mas chega morta...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Solto

Finalmente,
nossos...

Sou meu,
tu és tua,
fostes minha,
e eu, fui teu...

Num quarto,
de pousada,
testemunhou,
o mar...

Vigiava-nos!
ao longe,
o que marulho,
ensurdeceu,
e ondas,
acobertaram...

Marulho,
salgado,
adentrando,
a janela...

a brisa,
gélida,
e fria,
como noite,
qualquer,
de inverno,
da sacada...

e ali,
inerte,
presa,
por mim...

meus braços,
correntes,
ancoram,
meu ser,
em ti...

porto,
inseguro,
porto,
futuro
algum,
reserva
o amanhã...

só partir...

e presente,
na lembrança,
sempre,
na imensidão,
do marulho,
que ecoa,
em mim...

você...

sábado, 9 de outubro de 2010

Nulidade

Nulo não é branco,
é algo bem mais franco:

Nulo é discordar de tudo,
do que está posto,
e do que é o mundo...

De não concordar, motivo,
resulta de grande crivo,
nada tem de analfabetismo,
e é portanto, nada nocivo:

Motivo não é apatia ou sinismo,
Quiçá, o é exato oposto:
Muitas horas de estudo,
e bons punhados de desgosto...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Pensamento número dois

É paradoxal a busca incessante pelo prazer de uma aspiração atingida.

Geralmente o prazer é bem menor do que parecia no início do caminho.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Garganta

Tudo vira verso:
Tanto falta,
quanto excesso...

O tempo remedia,
tanto o que dói,
quanto o que angustia...

De tudo a vida se encarrega:
tanto do que se aceita,
quanto do que se nega...

E acerca de tudo o poeta versa:
Naquilo que versa e expressa,
Mais daquilo que à garganta

Atravessa...

A vida de um poeta

Dúvidas sempre cercam,
o pensar de escritor pesaroso:
É sabido que afetos afetam,
seu cunhar mais meritoso...

O poeta não é instrumento,
nem sua pena à qualquer outro serve:
É fruto de seu próprio tormento,
ou de algo que o enerve...

Um poeta nunca é breve,
(o que é breve não é fecundo)
e um poeta só sente-se leve,
ao tratar de algo profundo...

Enquanto usa de enxada,
as suas maiores astúcias,
revolve como toada,
o arado de suas angústias...

E tira mais que proveito,
ao buscar seu entendimento:
Por vezes algum deleito,
nesse ou naquele tormento...

Tal labuta laboriosa,
o tempo de toda essa lida,
dessa lida astuta e formosa,
é o tempo de uma vida:

Uma vida em verso e prosa.

sábado, 25 de setembro de 2010

Meus poemas

Sim, todos são meus,
todos meus são...

Meus poemas,
minhas rimas,
minhas tremas,
abolidas...

Também o são:
Histórias,
sentidos,
memórias,
grunhidos...

E medos,
vividos,
em segredos,
escondidos...

Sim,
pertencem a mim:
Todos acertos,
alguns apelos,
e muitos apertos,
pelos quais passei:

Murros que dei,
e chutes também,
e o que levei,
logo de quem...

Ninguém sai ileso,
ou mesmo se esquiva,
dado estar preso,
quem quer que viva,
à grandes verdades:

Sofrer por amor,
errar por medida,
morrer de saudades,
são coisas que a vida...

escreve...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Arte

Suas auguras,
minhas mulheres,
então nossas juras,
cheias de afagos...

Minhas pinturas,
e nossos desejos,
belas ranhuras,
nos azulejos...

Tudo lembra arte...

Tintas, brochuras,
e bons amassos,
certas posturas,
alguns embaraços...

Tolas usuras...

Meus descompassos,
beiram loucuras:

Sigo teus passos,
por ruas escuras...

Por onde não andas...

Pelas quais não... Figuras!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A maior prisão

Animais estes, tentam ser deuses,
e ver suas vozes ouvidas,
pois temem poder do silêncio:
Ele mostra as reais medidas...

É no silêncio que se medita,
onde se mostram as verdades,
se desfazem crenças benditas,
e perdem valor, tolas vaidades.

No silêncio vê-se quão finito,
é o alcance da mente humana,
e dado sentir tão restrito,
que à alma o sentir profana...

e engana...

A alma sim, irrestrita,
presa à cinco formas de visão,
deseja livre, e então constrita,
anseia expirar, de sua prisão...

e respirar...

No silêncio reside a alma,
é ali que faz morada,
e é nela que está o trauma,
e é ela que à morte aguarda...

Liberdade...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Meu Jardim

tempo de poda
em meu jardim

extirpam-se folhas secas,
ramos mortos,
e todo o mau
que há em mim

sobram caule,
e folhas verdes,
algumas apenas

dada importância
de respirar

jardim podado,
faço arado
e planto semente
e rego a contento

boa semente,
estrelas, firmamento,
e terra arada,
fofa e regada

olho as estrelas
e torço que o sol
meu raio de sol,
não tarde chegar
dada a importância

de respirar
por fotossíntese

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Estocástico

Dado que A ocorreu,
(e o pobre Zé Morreu),
e dado que o Zé não sou eu,
fustigar o tempo que falta...
variável aleatória e peralta,
de um processo estocástico,
que eu não controlo,
ou processo de Pois(s)on,
independente e distribuído identicamente,
o tempo restante é uma variável aleatória,
(e sem memória)
não depende do quanto vivemos,
o tempo que inda temos...

Poisson para os saltos,
amplitudes variam, para cima e baixo,
como Poisson composta,
na roleta da existência,
cada aposta,
esperança desconhecida, e função não conhecida,
de probabilidade cumulativa,
para o tempo que resta de vida...

E um dia, o 1 chega...

sábado, 14 de agosto de 2010

Sinceridade

Num mundo tão descartável,
com tantos valores perdidos,
sobra a lembrança afável,
de dias melhores vividos...

De canto, quase esquecidos,
tal qual uma roupa surrada,
sentimentos que davam sentido,
ao respirar de quem foi vivo,
e nunca serviu de manada,
quem da razão sempre fez crivo:

Perdeu-se a sinceridade,
nas artes, atos, palavras:
Não se lavram mais as verdades,
que a vaidade humana entrava...

...visando opulência e riqueza,
em detrimento de decência e firmeza,
de caráter, justiça e verdade,
mataram a dama mais bela:

Enterraram a sinceridade.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Como a vida é simples...

Engraçado como a tristeza,
se esvai com um verso ou dois:
Basta deixar de moleza,
escrever agora, e pensar depois!

À alma morta

O apreço que guardo
por silêncio e reserva,
preserva o que é nato,
e amplia o que enerva...

A cada percalço no verso,
perverso se sente o poeta:
Não poder escrever o universo,
da tristeza da alma discreta...

Maldita ideia funesta,
evitar a honesta empresa,
de deixar sair o que sente...

Ao mundo então, tão somente,
dado que ninguém se importa,
as migalhas da mente doente,
do poeta da alma morta...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Funeral à céu aberto

O centro quase parou,
muitos vieram pra ver,
a vida que então cessou,
embaixo de um carro vermelho.
-
Alguns viram das calçadas,
outros, nem ver quiseram,
uns amontoaram-se às sacadas,
e mais pessoas vieram.
-
Ambulâncias então chegaram,
o trânsito foi desviado,
e homens da lei cercaram,
malogrado carro vermelho!
-
Levaram o corpo sem vida,
restante, apenas matéria,
a alma portanto exaurida,
seguiu em jornada etérea.
-
O guincho com o carro partiu,
mas há vermelho no chão,
da vida que se extinguiu,
de um filho, pai, ou irmão,
-
d'algum outro qualquer,
que chance teve, sequer,
do que narra o desconhecido,
estar por perto pra ver:
-
Seu ente amado e querido,
embaixo de um carro... morrer...

D'Algumas pessoas...

parparlhar de folhas de chumbo,
arrulhar de um mundo de pombos,
sons de grunhidos ao fundo,
emanam de todos escombros...

resquícios d'alguma moral,
que assombram os pesadelos,
daqueles que para o mal,
ousaram guiar os apelos...

para tais ainda restam,
as noites mal dormidas,
que verdades pra si contestam...

e pálpebras escurecidas,
que dores na consciência...
...atestam.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pensamento número um:

Você será feliz quando não precisar ser aceito.

E livre quando não precisar ser compreendido.

domingo, 11 de julho de 2010

A mágoa e a pena

Enquanto a pena desliza,
mais uma mágoa se esvai;
Da pena que então escraviza,
foge aquela que nunca sai...

A mágoa que a pena não alcança,
fundiu-se a alma do poeta,
inalcançável à qualquer lembrança,
dança e sorri enquanto à pena flerta...

E zomba da pena que nem criança:
Fazendo tromba, e fugindo esperta!

A pena

O sono não veio,
já cedo, tão tarde...
A noite, ao meio,
e a pena, covarde!

domingo, 4 de julho de 2010

Responde então, Dulce Maria

Respondera Dulce Maria,
ao marinheiro que tanto amava..

No teor de sua poesia,
saudade nos dias que contava...

E a solidão que então sentia,
de seus versos emanava...

...

“Em noites de meu pensar,
brilha estrela solitária,
ante o pesaroso luar...

Minh'alma temerária,
suspira ao vislumbrar,
quem te orienta ao navegares...

Avistar a estrela Polar,
só faz aumentar suspiros,
invés de mitigar pesares...

Noticias a mim tua morte,
e como esperas que me sinta?

Esperas que então eu minta,
que diga ser tão forte,
que possa seguir em frente,
que teria ainda um norte,
ou poderia ser contente,
Longe de teu peito?

Partistes contra a vontade,
desta que então te escreve,
logrei a Deus piedade,
de trazer-te são, em breve...

Mas o mar que de mim te leva,
e a Dama que se aproxima,
o desfecho que então se enleva,
é fadar de dor minha sina...

Não verte-ei chegar ao porto,
em lustroso madeiral, morto,
posto não suportaria...

Meu Ulisses, amor meu,
antes que morto a mim te tragam,
por veneno... morro eu!

domingo, 13 de junho de 2010

À Dulce Maria

Ao saber que morreria,

escrevera à razão de suas alegrias,

que atendia por Dulce Maria,

o experiente Marinheiro...



...


"À Querida de meus versos, minha Dulce Maria:




Em cada porto que ancoro,

Em toda boca que beijo,

teus lábios é o que devoro,

pois tudo o que mais ensejo,

é um muito de teu sabor,

e um mundo de teu furor!


Nem um pouco, nem um naco,

serei louco, se for parco,

o quanto disso de ti eu tiver...


Venha isso como vier,

que seja intenso e verdadeiro,

aos borbotões, mas muito mesmo,

tão forte, tão por inteiro,

que leve a vagar a esmo,

o mais vivido dos marinheiros!


Tal qual nau a deriva,

na imensidão do mar perdida,

esse sentir que então não priva,

nem teme qualquer ferida,

tal sentir, que não se esquiva...


Peito aberto, rumo o desconhecido,

Busco o sentir que traz à vida,

aquele sentir mais desmedido,

daquele querer, tão sem medida!


Já não sou eu tão mais forte,

me tire da escuridão inerte,

dê-me portanto um norte,

pois sei a data que vem a Dama...


...Aquela que não aceita flerte..."

domingo, 30 de maio de 2010

Saudades de meu amor

Saudades de meu amor,
meu amor que sequer existe,
faz de mim alguém mais triste,
a cada dia que não vem.

Meu amor que então me tem,
pensando ao longo do dia,
o quanto bom seria,
uma carícia desse meu bem...

Não demores, meu amor,
estejas onde estiveres,
sejas você quem for,
mas traga quando vieres,

O carinho de que preciso,
o cafuné que tanto quero,
e alguma falta de juízo...

Isso é tudo que de ti espero...

domingo, 23 de maio de 2010

O que sou?

O que sou desconhece nome
pois sou a mais pura fome
de tudo o que não vivi
e daquilo que não senti!

Sou o que desconheço
porém, tudo o que aprendo
também o que desmereço
e o tanto que vou vivendo.

Nas linhas de minha palma
nuances e matizes
talham de minh'alma
algumas das cicatrizes...

O que sou não é quem
como disse o filósofo poeta
talvez ninguém seja alguém
e tal verdade, tão dileta
se aplicaria a isso, também.

sábado, 8 de maio de 2010

This is what you did do to me!

I'm thinking in you,
but by now it's strange,
'cause things are being true,
and I don't wanna change...

This is my way,
here in my place,
I don't wanna play,
I'm just looking for peace...

But by now,
I don't know how,
you did do that:
You are in my mind,
and you turned me black...

I will give to these lines,
a piece of my blue,
that feelings that i get,
always I think in you.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Poesia verdadeira

Poesia verdadeira

Ser verdadeiro,
de todo, por inteiro,
em algumas poucas linhas...

Pôr para fora a alma,
o que de dentro vem,
rimar a contento,
ao mostrar o que se tem,
e o que se é...

Dispor as frases bem,
por vezes é questão de fé...

O escrever é tão complexo,
de começo, tão confuso,
embaralhado e desconexo,
tão fugidio, quase um abuso!

De repente toma forma,
um substrato emocional,
ante toda e qualquer norma,
do ser dito racional:

E o nome disso, meus caros,
quem diria... É poesia!

Irrompe a represa moral,
na mais visceral empresa,
mostrar o que diferencia,
(procurando alguma beleza!)
o Humano do que é símio!

E o que nos distancia?
No que o humano é exímio?

Ingenuamente crer no amor,
abstrair o raciocínio,
da consciência ser consciente,
e ser mais de um, dentro da mente.

E nada pode ser mais verdadeiro que isso.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Maria, recebi teu aceite!

Enviastes teu aceite,
porquanto estou feliz,
conquanto não rejeites,
novo escrito que te fiz...

Não vejo em tal escrito,
algo heroico ou meritoso,
penso ser ele constrito,
frente a seu dever honroso:

Entoar a quem difama,
teu versar muito jeitoso,
cantar de quem desama,
tal ato, tão desditoso!

Entro agora, no refrão,
sonoro, e a eles, sobre Verdade:
Imploro, pois então:
Dispam-se de Vaidade!

Despojem-se agora,
sem demora ou desgosto,
do receio de viver!

Posto que tal receio,
de enganar-se é meio,
da falsidade é recreio,
e do bom versar é alheio!

Digo termos, livres disto...
Meio poeta!

Para receita de uma Maria,
algo mui mais completo,
cogita-se um quinhão,
de algo bem seleto:

Chama-se Sentimento,
(uns conhecem por tormento...)
De longe, neste momento,
meu ingrediente predileto!

sábado, 24 de abril de 2010

Maria, me adiciona no Orkut?

Bom dia, Maria!
Belo aparte,
linda poesia!

Nenhuma plastia,
no todo ou em parte,
melhor tornaria,
tão bela arte!

Apresento-me agora,
prometo ser breve,
a ansiedade devora,
quem te escreve:

Velho ainda não sou,
nada tenho, de menino:
O tempo a mim destinou,
por alcunha, Desatino!

Encantou-me tua poesia,
maestria e comoção,
nada melhor o faria,
tens retórica e emoção!

Quero partilhar,
desta tua convivência:
Anseia por teus versos,
minha aflita consciência...

Jures a meu deleite,
mostre-me um belo verso,
em ansiedade estou imerso,
enquanto aguardo teu aceite!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Viver no futuro não é viver

Viver no futuro,
ignorar o agora,
é tiro no escuro,
cultivar a demora...

...ou ficar sobre o muro...

Deixarei-te ir,
indecisão, não tolero!
Podes portanto, partir:
Teu retorno,
não mais espero...

...ou mesmo quero...

O que terás de mim?
Sempre descrença!
E um naco assim,
de indiferença!

Não há indeciso,
ou procrastinador*,
que algo mereça,
de minha querença...

...ou de meu amor...

Árvore seca

Quase inerte,
a despeito de qualquer vento,
destoa no firmamento,
qual paisagem nalguma arte...

Tão sóbrio canto,
seus galhos então estalam,
forma-se triste poema,
que os ventos então embalam...

Pouco ela se move,
alegria alguma finge,
posto que todos comove,
o canto que ela inflige...

Seu hino tão solitário,
vem de além da velha cerca,
ser por natureza gregário,
entoa seu corolário:
A solidão da árvore seca.

Coletivo

Coletivo...
bem comum:
Um para todos,
e esses em um!

Vai-se em apertos,
e solavancos,
anda-se aos trancos,
desce-se barrancos!

O coletivo é de cada um,
portanto, de ninguém,
no sacolejo, no vaivém,
vai-se tio, sobrinha, neném.

Assim também o poeta,
em postura discreta,
no fundo do coletivo,
porta papel,
e comportamento instintivo:

Escreve e observa,
o povo passivo,
que tanto o enerva...

A caneta?
Escapolindo!
mais um verso,
vai-se indo,
no jeito de uma toada...

Culpo o motorista,
que dirigindo,
deve pensar,
levar boiada!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Raio de sol

Como medir
um raio de sol?
É preciso sentir...

Meço um raio de sol,
comparando-o a ti,
posto o que senti,
tão logo a vi:

Tamanha alvura,
quando chegastes,
tão forte fulgura,
meus olhos cegastes!

Ah, e meu peito...
Outrora tão morto,
por agora, tão morno...
Dulcíssimo efeito!

Tudo iluminastes,
meus rumos, mudastes...
Mas meus prumos... perdi.

sábado, 10 de abril de 2010

Ao niilista

Tão vazia é a vida,
daquele que é niilista.

É tão triste quem não exita,
sobre os porquês de sua existência,
ou sobre a nobreza da consciência,
ou sobre o que de além exista.

A beleza não vem da resposta,
do que gosto, logo explico,
e descomplico pois, a questão:

De antemão a graça morre,
quando ninguém mais discorre,
sobre seu objetivo existencial,
sobre a distinção entre bem e mal,
e o que é ou não natural.

Perder isso é perder o viço,
ser omisso aos porquês é ser triste,
pois sem porquês, o Humano inexiste.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Motivação

Mas o que forja o poeta?
Questão primaz esta,
a ser portanto respondida:
Um tanto quanto de desmedida,
paixão não correspondida...

E alguma ausência de sorte,
numa experiência de quase morte...

E uma inquietude doída,
que remédio algum ameniza,
tal qual aberta ferida,
que o tempo não cicatriza:

Sobretudo, desconhecimento:
É decerto questão futura,
para além do firmamento.

Sobra então manter postura,
e abstrair-se do tormento,
inflar alguma vela,
e deixar-se ir ao vento.

Na vida não há manual,
que dirá então previsão,
distância entre bem e mal,
ou espaço para revisão.

Que venha então o vento,
pois as velas estão infladas.

Os Anões

Cavalgam cogumelos,
muitos e muitos anões,
de belos coloridos,
altivos e sabidos,
incontáveis anões...
...aos borbotões...

Uns contam seus oiros,
outros loiros, lorotas,
os azuis descascam bergamotas,
e os amarelos entoam cantigas,
das de roda, das mais antigas,
sobre proezas, odisséias e destrezas,
sobre Dalilas, Nicéias e tristezas...
...e Ninfas...

Os anões não findam,
cada qual com suas mentiras,
suas iras e auguras,
desventuras e desmedidas,
bravuras de alguma estória,
fruto de certa loucura,
ou de um lapso de memória.

Os anões tem grande apreço,
pelas coisas mais mundanas...
é sabido seu endereço:
Basta virar alguma esquina,
de uma fértil mente humana...