terça-feira, 12 de agosto de 2014
Meu teclador
Verdes verdades II
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Massenteió
Hoy
terça-feira, 15 de julho de 2014
Estes
que sabia que pensava
e pensava o que via
criou o Êste
que pensa que sabe
e vê o que pensa
E desde este então
nenhum destes soube
Ser
o que sabe do que sente
e que vê o que vê
por esquecer de pensar.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Da vida...
O melhor da vida é que cada qual tem a sua.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Fênix
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Ventar
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
o gosto da chuva
terça-feira, 12 de março de 2013
Fugaz
covarde é o partir
mas escolha não tenho!
O que vem de ti me prende
de aprender minh'alma não cansa:
Meu coração é meio criança
Que com doce logo se agrada...
Preciso de amores impossíveis, inspirações torpes e noites bêbadas.
Não de aconchego e carinho.
Preciso da falta de ninho
Ao turbilhão se forja o poeta!
Nasce da inquietude secreta,
da ausência de calma,
e da beleza dileta
da tristeza profunda...
Saibas: Uma alma ingrata, é poesia inata!
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Da tua falta
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Poema sem nome
e o tempo inteiro
sou luz sem vela
nau sem timoneiro
destino sem causa
pensamento sem freio
cometa sem cauda
estampido sem meio
sou meio de mim
e no fim, recomeço
não vivo nem morro:
aconteço.
Rosamarelouro
e ela viu pela janela
o leve estalar dos galhos
das árvores do pomar
E quis o dia mais bonito
fugir do cinza
e ser mais leve que o ar
e no sonho se fez balão.
E o vento consentiu
e partiu a menina-balão
a colorir o céu
com seu rosamarelouro...
E sobre o azul-imensidão
ao sabor do vento-brisa,
jogou bola com os deuses
e sorriu, enfim livre...
Afago
cavalgou o etéreo e te encontrou,
em meio a um sonho meu!
E eram flores que vinham de ti
coloridas e perfumadas e em profusão
E senti o sentir de um afago teu:
Um arrepio do início ao fim d'alma
seguido da paz de um Buda
em cada canto do meu espírito.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Antiode aos vermes
sem cometer erros
ou sem esquecer
coisas importantes
sem magoar alguém que não mereça
ou sem ser magoado,
por certo não terei vivido
nem um segundo
do tempo que dispus.
Aos vermes deixarei,
meu corpo inútil
e consumido
por toda experiência
que possa ter valido a pena!
Eis a vida que não deixarei de viver:
Hei de magoar,
hei de ser magoado também!
Hei de ser torpe por vezes,
e nobre quando convier,
como todos os outros o são!
Hei de esquecer
e de ser esquecido
e hei de estar vivo,
ao menos em parte de mim,
em todo verso que escreva,
e em cada banho de chuva
que minha pele sentir!
Hei de ser mais vivo
que o verme que roerá minhas entranhas,
pois nenhum perdão vale a pena,
e nenhuma abstenção trará glória alguma!
Eis o relato prévio de minha lápide:
Não ousei poupar ninguém de sofrer,
nem a mim mesmo!
Jamais pude ser injusto para tal:
Estive ocupado demais vivendo o tempo que tive!
Tomem de mim os restos, vermes! Nada mais de mim terão,
Que não os restos de minha carcaça
podre e pútrefa
como tudo o mais que habita
este mundo insano e vil.
sábado, 19 de maio de 2012
A rua
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Seu
Seu
Nem o ar que infla seus pulmões
Nem a água que compõem
os tecidos e órgãos
Nem o cálcio que forma
ossos
Tudo foi emprestado,
roubado da mãe Terra
Nem você é seu
Porque nada é
real e definitivamente
"seu".
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Lirismo
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Dar-te-ei o mundo
Trouxe o dia nas costas
e o peso do mundo nos ombros
e escondeu cada dissabor e lamento
num suspiro mudo
pois o pequeno dormia
silencioso e calmo
como ontem e anteontem
e antes e sempre, dormia.
Os cachos e os sonhos do inocente
docemente acomodados
no travesseiro de Camomila:
"Hei de te dar o mundo, meu filho
e o brinquedo mais bonito!
O melhor berço azul!
Na mais colorida das festas,
o mais chocolate dos bolos!
E adornos de toda sorte
enfeitarão as prateleiras do teu quarto
E terás enfim tudo!"
...
Foi-se cedo.
Ninguém esperava
e nada levou
e seu rosto já não escondia
nem as preocupações da vida
nem as noites que não dormiu
E no meio daquela gente
o pequeno então sorriu
e apontou para a grande e preta caixa:
"Mamãe, por que papai não acorda?"
E o anjo sentou ao chão
e brincou com seu caminhão verde:
Uma velha e enferrujada
lata de ervilhas vazia.
domingo, 18 de dezembro de 2011
A escuridão dos dias de sol
em ser mais que barro e vontade
e meia verdade livre de sentir
Tanto mais anseie
de todo o meu coração
ver nisso que penso que sou
mais que processo e sentido
Quanto mais moleste
a parte disto que pensa que pensa
prisão de mim em mim mesmo
mais percebo o quão limitado sou:
Sou isso a que chamam de humano.
Quanto mais dobro as palavras
quanto mais as malho e forjo
mais dúvidas moldo
Quanto mais liberto as palavras
mais nesgas de luz-mentira
pelas persianas da consciência
atravessam
Os dias de intenso sol são os mais escuros:
Mesmo onde haja abundante luz
tudo o que eu vir será reflexo de luz
e será mentira que inventei
para esquecer que existo
sem saber por que...
terça-feira, 19 de julho de 2011
Para resolver os problemas de arrecadação no mundo...
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Do poema para a ideia 1:
é falho pois dela precisa: A palavra liberta enquanto escraviza.
domingo, 12 de junho de 2011
6
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Tixa
beijo tua prece
e tomo teu sono
Torno teu sonho
mundo meu
por agora
De terras minhas
as ancas tuas
e cada desejo teu
Sou mão que semeia
o solo fértil
chuva que fustiga
os campos e a relva
e também vento morno
que poliniza tuas videiras
Meu mundo é tu
e teu fruto-ventre
alimenta eu Ímpeto:
Perpetuo-me.
Tua boca emutece o suspiro
tudo mudo no fim de tudo
nem mais mundo
nem mais prece:
Apocalip-se.
A. E.
dobrar a esquina
de um sonho meu.
Tudo era cinza
e tardio inverno.
Garoa e pele
lembravam:
eu vagava por lá.
De um tudo havia:
Pessoas medrosas
fugindo da chuva
e faróis acesos
apontando onde
a pressa alheia mandava.
E lá eu andava:
Sorrateiro seguia
tuas rotas pelas poças...
E eu lá estava:
Entre passos e moças
barulho e tumulto
febre de pressa
e delírio de horas:
Neurose coletiva dentro de mim.
E de cada si
natureza morta
compunha o cenário:
Imaginário...
E a chuva teimou
em lembrar que eu sentia:
Fria...
[...]
E se meu sonho sou eu
e teu sorrir salvação?
É certo saber o que amo
se mal sei que sou?
[...]
Onde quer que vague
levo comigo anseios de ti:
Colorir de meus sonhos.
Produto
senão fim
de meus meios?
Que é coragem
senão temer
ter receios?
Que é viver
senão privar-se
de anseios?
Que é distar
senão partir errante
ou manter-se distante?
E que é morrer
Senão ao pó voltar,
Triunfante?
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Eu palavra
palavras que me deixam
para ganhar o mundo?
Valor algum às palavras:
apenas ao que sinto
quando as deixo ir.
...
Vai palavra
e leva de mim o pouco
o pouco que cabe em ti:
E deixa de mim o eu
o eu que de mim não larga
o eu que define o ego
esse eu que de mim é chaga!
Deixa de mim o eu
o eu que de mim é chaga
pois no eu que define o eu
vive o eu que mais agrada:
Palavra fadada a morrer muda.
domingo, 24 de abril de 2011
Pensamento número 5:
quarta-feira, 23 de março de 2011
Vento-Verso
sábado, 12 de março de 2011
Amante
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Für Elise
alarido de rua e de tudo
turbilhão de gente e povo
te encontraria sem ver-te.
Lá estarei
feito vulto
olhando inerte
em vigília de teus passos
um voyeur de teus jeitos
em cada passeio por onde transitas
em viela qualquer do bairro que habitas
guardarei eu um de teus lados
e dele farei minha morada:
Da tua esquerda a alma penada,
serei eu até o fim de teus dias...
O dia em que a noite perdeu
mas essa noite não pára
não tarda barulho ou outro
em visitar minha sacada...
verdes folhas das palmeiras
vestidas de cinza escuro
estalam ao gosto do vento frio
que açoita minha janela.
quis ouvir quem deixou a noite
para sempre morrer nos passos
de um passante desavisado...
noite fajuta essa!
nem pereceu noite:
o horizonte sequer foi negro
e o céu não mostrou estrelas
só cinza-chumbo-sem-graça
por trás das árvores-casas-latidos
e eu a li e batizei:
o dia em que a noite perdeu
o silêncio
o viço
e o breu...
e o encanto.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Pensamento número 3
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
O Viking
prumam...
estrela polar
horizonte escuro
destino incerto...
vento favor
proa no mar
remar sem cansar
rumar, rumar...
estalam, gemem
popa, proa e leme...
vela içada
seguir estrela
o Norte à frente
memória ingrata
saúda a dama
que em terra firme
aguarda a volta...
que volta?
Corpo indolente
traz para a luz
o vento que corta...
corta na carne
sem piedade
frio e infame
vento saudade!
o fim do mundo
nos aguarda
hordas sem fim
de bravos sem nome
em lanças-escudos...
e o fim de tudo
ao alcance das mãos,
num grito mudo...
Liberdade por fim!
um remar sem temer
num sangrar de saudades
da dama que abriga
o rebento que cresce...
domingo, 23 de janeiro de 2011
O dia em que as palavras sumiram
Foi feio, feio e nublado,
e triste, triste de doer,
o dia que as palavras sumiram!
Partiram, e não de um lábio,
nem verteram, de pena alguma,
apenas foram-se, uma a uma,
feito fila muda, e desavisada.
Endereço ou recado deixaram,
nem agrado aos ouvidos,
sopraram...
O tempo de palavras fartas,
é tempo passado, são tempos idos...
Preposição alguma ficou:
Onomatopéias calaram,
Os sujeitos morreram,
e adjetivos perderam,
seus predicados!
Voltarão as palavras,
a adoçar meus ouvidos,
descrever-me a vida,
e aguçar meus sentidos?
Voltarão, períodos,
a compor partituras,
e em arroubos divinos,
recriar criaturas,
e matá-las depois?
Tornarão a escrever,
em barulhentas pinturas,
as loucuras e tolices,
sandices bem cruentas,
que prescindem de vós?
Voltem, palavras,
sois de muito a vazão:
Toda essa mente inquieta,
tem em ti maior precisão,
pois sois também a razão,
dessa vida tão completa,
de Aprendiz, Desatino,
e quiçá um dia, de Poeta.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
O Poema das Horas
Não lembro de tê-los vivido...
Onde estão escondidas todas as horas?
Será que estão nas demoras,
das filas de padaria?
Estariam nas emoções que descartei,
nos nãos que acatei, silencioso e resignado,
ou mesmo nos sins que falei,
a penas de ter concordado,
por concordar?
Por qual dedo fugiram, astutos minutos?
Ou ficaram presos à agonia muda de um orgulho bobo?
Ou no aguardo da perfeição que inexiste?
Ou será, que de forma mais triste,
estão na angústia de viver tal tempo perdido?
Quiçá estejam na tentativa vã,
de dar à vida algum sentido...
Ou tenham mesmo se escondido,
na letargia covarde de quem não partilhou de meu afã...
E em qual dos 27 verões,
foram parar meus segundos?
Deixei-os surdos em serviço de outrem,
Ou em noites mal dormidas, como as de ontem?
Onde estão vocês, horas mortas,
senão no aguardo de quem não veio,
ou no meio de um erro ou outro?
E farão sentir-se como falta,
quando isso estiver morto,
as horas de tantos desgostos?
Temo que sim...
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Clara
O fogo toma conta,
incendeia a floresta,
da fagulha não mais resta,
sequer alguma ponta!
Logo o fogo, incontrolável,
cerca, por todos lados,
e aflora de forma afável,
os mais doces dos pecados!
E eu te toco!
E me sentes,
mesmos, distantes,
estamos presentes...
Mesmo passados,
somos correntes...
E me prendes...
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Habite-se
por vezes, sem cor,
noutras, bonito,
Tem peso de ar,
e cheiro de vento...
E feito do que invento,
nada tem de constrito,
é ilimitado, infinito,
feito do que imagino...
O mundo que frequento,
é mundo do aprendiz,
feliz poeta, Desatino!
Tão sem fronteiras,
eiras ou beiras,
um mundo irrestrito!
Sem mentira ou verdade,
e nada de tiranias,
e sim gosto de liberdade!
Feito de fantasia,
sem traumas ou apatias,
n'alma está recluso,
esse mundo tão confuso...
Minha droga mais querida,
minha fuga preferida,
disso tudo, anestesia,
é decerto esse meu mundo,
conhecido por Poesia...
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Palavra...
e teima, ah, teima...
firme, pede passagem,
não perde viagem,
nem se arrepende...
A palavra é o que há,
e discretiza...
e escraviza...
tanto quanto um gosto,
ou um querer...
O poder da palavra está
onde a palavra falha...
quem quer que dela se valha,
é falho.
Palavra não é ato,
palavra não tem cheiro ou cor,
mas ela mostra o substrato,
ou tenta...
A palavra descreve,
a palavra se atreve,
levar adiante,
sua mais grave falha:
a palavra se atrapalha!
Por si só,
quando tenta explicar,
dificulta,
seja ela domada, seja ela culta...
A palavra quando sai,
já sai torta...
e quando chega,
chega...
mas chega morta...
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Solto
nossos...
Sou meu,
tu és tua,
fostes minha,
e eu, fui teu...
Num quarto,
de pousada,
testemunhou,
o mar...
Vigiava-nos!
ao longe,
o que marulho,
ensurdeceu,
e ondas,
acobertaram...
Marulho,
salgado,
adentrando,
a janela...
a brisa,
gélida,
e fria,
como noite,
qualquer,
de inverno,
da sacada...
e ali,
inerte,
presa,
por mim...
meus braços,
correntes,
ancoram,
meu ser,
em ti...
porto,
inseguro,
porto,
futuro
algum,
reserva
o amanhã...
só partir...
e presente,
na lembrança,
sempre,
na imensidão,
do marulho,
que ecoa,
em mim...
você...
sábado, 9 de outubro de 2010
Nulidade
é algo bem mais franco:
Nulo é discordar de tudo,
do que está posto,
e do que é o mundo...
De não concordar, motivo,
resulta de grande crivo,
nada tem de analfabetismo,
e é portanto, nada nocivo:
Motivo não é apatia ou sinismo,
Quiçá, o é exato oposto:
Muitas horas de estudo,
e bons punhados de desgosto...
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Pensamento número dois
Geralmente o prazer é bem menor do que parecia no início do caminho.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Garganta
Tanto falta,
quanto excesso...
O tempo remedia,
tanto o que dói,
quanto o que angustia...
De tudo a vida se encarrega:
tanto do que se aceita,
quanto do que se nega...
E acerca de tudo o poeta versa:
Naquilo que versa e expressa,
Mais daquilo que à garganta
Atravessa...
A vida de um poeta
o pensar de escritor pesaroso:
É sabido que afetos afetam,
seu cunhar mais meritoso...
O poeta não é instrumento,
nem sua pena à qualquer outro serve:
É fruto de seu próprio tormento,
ou de algo que o enerve...
Um poeta nunca é breve,
(o que é breve não é fecundo)
e um poeta só sente-se leve,
ao tratar de algo profundo...
Enquanto usa de enxada,
as suas maiores astúcias,
revolve como toada,
o arado de suas angústias...
E tira mais que proveito,
ao buscar seu entendimento:
Por vezes algum deleito,
nesse ou naquele tormento...
Tal labuta laboriosa,
o tempo de toda essa lida,
dessa lida astuta e formosa,
é o tempo de uma vida:
Uma vida em verso e prosa.
sábado, 25 de setembro de 2010
Meus poemas
todos meus são...
Meus poemas,
minhas rimas,
minhas tremas,
abolidas...
Também o são:
Histórias,
sentidos,
memórias,
grunhidos...
E medos,
vividos,
em segredos,
escondidos...
Sim,
pertencem a mim:
Todos acertos,
alguns apelos,
e muitos apertos,
pelos quais passei:
Murros que dei,
e chutes também,
e o que levei,
logo de quem...
Ninguém sai ileso,
ou mesmo se esquiva,
dado estar preso,
quem quer que viva,
à grandes verdades:
Sofrer por amor,
errar por medida,
morrer de saudades,
são coisas que a vida...
escreve...
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Arte
minhas mulheres,
então nossas juras,
cheias de afagos...
Minhas pinturas,
e nossos desejos,
belas ranhuras,
nos azulejos...
Tudo lembra arte...
Tintas, brochuras,
e bons amassos,
certas posturas,
alguns embaraços...
Tolas usuras...
Meus descompassos,
beiram loucuras:
Sigo teus passos,
por ruas escuras...
Por onde não andas...
Pelas quais não... Figuras!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
A maior prisão
e ver suas vozes ouvidas,
pois temem poder do silêncio:
Ele mostra as reais medidas...
É no silêncio que se medita,
onde se mostram as verdades,
se desfazem crenças benditas,
e perdem valor, tolas vaidades.
No silêncio vê-se quão finito,
é o alcance da mente humana,
e dado sentir tão restrito,
que à alma o sentir profana...
e engana...
A alma sim, irrestrita,
presa à cinco formas de visão,
deseja livre, e então constrita,
anseia expirar, de sua prisão...
e respirar...
No silêncio reside a alma,
é ali que faz morada,
e é nela que está o trauma,
e é ela que à morte aguarda...
Liberdade...
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Meu Jardim
em meu jardim
extirpam-se folhas secas,
ramos mortos,
e todo o mau
que há em mim
sobram caule,
e folhas verdes,
algumas apenas
dada importância
de respirar
jardim podado,
faço arado
e planto semente
e rego a contento
boa semente,
estrelas, firmamento,
e terra arada,
fofa e regada
olho as estrelas
e torço que o sol
meu raio de sol,
não tarde chegar
dada a importância
de respirar
por fotossíntese
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Estocástico
(e o pobre Zé Morreu),
e dado que o Zé não sou eu,
fustigar o tempo que falta...
variável aleatória e peralta,
de um processo estocástico,
que eu não controlo,
ou processo de Pois(s)on,
independente e distribuído identicamente,
o tempo restante é uma variável aleatória,
(e sem memória)
não depende do quanto vivemos,
o tempo que inda temos...
Poisson para os saltos,
amplitudes variam, para cima e baixo,
como Poisson composta,
na roleta da existência,
cada aposta,
esperança desconhecida, e função não conhecida,
de probabilidade cumulativa,
para o tempo que resta de vida...
E um dia, o 1 chega...
sábado, 14 de agosto de 2010
Sinceridade
com tantos valores perdidos,
sobra a lembrança afável,
de dias melhores vividos...
De canto, quase esquecidos,
tal qual uma roupa surrada,
sentimentos que davam sentido,
ao respirar de quem foi vivo,
e nunca serviu de manada,
quem da razão sempre fez crivo:
Perdeu-se a sinceridade,
nas artes, atos, palavras:
Não se lavram mais as verdades,
que a vaidade humana entrava...
...visando opulência e riqueza,
em detrimento de decência e firmeza,
de caráter, justiça e verdade,
mataram a dama mais bela:
Enterraram a sinceridade.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Como a vida é simples...
se esvai com um verso ou dois:
Basta deixar de moleza,
escrever agora, e pensar depois!
À alma morta
por silêncio e reserva,
preserva o que é nato,
e amplia o que enerva...
A cada percalço no verso,
perverso se sente o poeta:
Não poder escrever o universo,
da tristeza da alma discreta...
Maldita ideia funesta,
evitar a honesta empresa,
de deixar sair o que sente...
Ao mundo então, tão somente,
dado que ninguém se importa,
as migalhas da mente doente,
do poeta da alma morta...
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Funeral à céu aberto
muitos vieram pra ver,
a vida que então cessou,
embaixo de um carro vermelho.
outros, nem ver quiseram,
uns amontoaram-se às sacadas,
e mais pessoas vieram.
o trânsito foi desviado,
e homens da lei cercaram,
malogrado carro vermelho!
restante, apenas matéria,
a alma portanto exaurida,
seguiu em jornada etérea.
mas há vermelho no chão,
da vida que se extinguiu,
de um filho, pai, ou irmão,
que chance teve, sequer,
do que narra o desconhecido,
estar por perto pra ver:
embaixo de um carro... morrer...
D'Algumas pessoas...
parparlhar de folhas de chumbo,
arrulhar de um mundo de pombos,
sons de grunhidos ao fundo,
emanam de todos escombros...
resquícios d'alguma moral,
que assombram os pesadelos,
daqueles que para o mal,
ousaram guiar os apelos...
para tais ainda restam,
as noites mal dormidas,
que verdades pra si contestam...
e pálpebras escurecidas,
que dores na consciência...
...atestam.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Pensamento número um:
E livre quando não precisar ser compreendido.
domingo, 11 de julho de 2010
A mágoa e a pena
mais uma mágoa se esvai;
Da pena que então escraviza,
foge aquela que nunca sai...
A mágoa que a pena não alcança,
fundiu-se a alma do poeta,
inalcançável à qualquer lembrança,
dança e sorri enquanto à pena flerta...
E zomba da pena que nem criança:
Fazendo tromba, e fugindo esperta!
A pena
já cedo, tão tarde...
A noite, ao meio,
e a pena, covarde!
domingo, 4 de julho de 2010
Responde então, Dulce Maria
ao marinheiro que tanto amava..
No teor de sua poesia,
saudade nos dias que contava...
E a solidão que então sentia,
de seus versos emanava...
...
“Em noites de meu pensar,
brilha estrela solitária,
ante o pesaroso luar...
Minh'alma temerária,
suspira ao vislumbrar,
quem te orienta ao navegares...
Avistar a estrela Polar,
só faz aumentar suspiros,
invés de mitigar pesares...
Noticias a mim tua morte,
e como esperas que me sinta?
Esperas que então eu minta,
que diga ser tão forte,
que possa seguir em frente,
que teria ainda um norte,
ou poderia ser contente,
Longe de teu peito?
Partistes contra a vontade,
desta que então te escreve,
logrei a Deus piedade,
de trazer-te são, em breve...
Mas o mar que de mim te leva,
e a Dama que se aproxima,
o desfecho que então se enleva,
é fadar de dor minha sina...
Não verte-ei chegar ao porto,
em lustroso madeiral, morto,
posto não suportaria...
Meu Ulisses, amor meu,
antes que morto a mim te tragam,
por veneno... morro eu!
domingo, 13 de junho de 2010
À Dulce Maria
escrevera à razão de suas alegrias,
que atendia por Dulce Maria,
o experiente Marinheiro...
...
Em cada porto que ancoro,
Em toda boca que beijo,
teus lábios é o que devoro,
pois tudo o que mais ensejo,
é um muito de teu sabor,
e um mundo de teu furor!
Nem um pouco, nem um naco,
serei louco, se for parco,
o quanto disso de ti eu tiver...
Venha isso como vier,
que seja intenso e verdadeiro,
aos borbotões, mas muito mesmo,
tão forte, tão por inteiro,
que leve a vagar a esmo,
o mais vivido dos marinheiros!
Tal qual nau a deriva,
na imensidão do mar perdida,
esse sentir que então não priva,
nem teme qualquer ferida,
tal sentir, que não se esquiva...
Peito aberto, rumo o desconhecido,
Busco o sentir que traz à vida,
aquele sentir mais desmedido,
daquele querer, tão sem medida!
Já não sou eu tão mais forte,
me tire da escuridão inerte,
dê-me portanto um norte,
pois sei a data que vem a Dama...
...Aquela que não aceita flerte..."
domingo, 30 de maio de 2010
Saudades de meu amor
meu amor que sequer existe,
faz de mim alguém mais triste,
a cada dia que não vem.
Meu amor que então me tem,
pensando ao longo do dia,
o quanto bom seria,
uma carícia desse meu bem...
Não demores, meu amor,
estejas onde estiveres,
sejas você quem for,
mas traga quando vieres,
O carinho de que preciso,
o cafuné que tanto quero,
e alguma falta de juízo...
Isso é tudo que de ti espero...
domingo, 23 de maio de 2010
O que sou?
pois sou a mais pura fome
de tudo o que não vivi
e daquilo que não senti!
Sou o que desconheço
porém, tudo o que aprendo
também o que desmereço
e o tanto que vou vivendo.
Nas linhas de minha palma
nuances e matizes
talham de minh'alma
algumas das cicatrizes...
O que sou não é quem
como disse o filósofo poeta
talvez ninguém seja alguém
e tal verdade, tão dileta
se aplicaria a isso, também.
sábado, 8 de maio de 2010
This is what you did do to me!
but by now it's strange,
'cause things are being true,
and I don't wanna change...
This is my way,
here in my place,
I don't wanna play,
I'm just looking for peace...
But by now,
I don't know how,
you did do that:
You are in my mind,
and you turned me black...
I will give to these lines,
a piece of my blue,
that feelings that i get,
always I think in you.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Poesia verdadeira
Ser verdadeiro,
de todo, por inteiro,
em algumas poucas linhas...
Pôr para fora a alma,
o que de dentro vem,
rimar a contento,
ao mostrar o que se tem,
e o que se é...
Dispor as frases bem,
por vezes é questão de fé...
O escrever é tão complexo,
de começo, tão confuso,
embaralhado e desconexo,
tão fugidio, quase um abuso!
De repente toma forma,
um substrato emocional,
ante toda e qualquer norma,
do ser dito racional:
E o nome disso, meus caros,
quem diria... É poesia!
Irrompe a represa moral,
na mais visceral empresa,
mostrar o que diferencia,
(procurando alguma beleza!)
o Humano do que é símio!
E o que nos distancia?
No que o humano é exímio?
Ingenuamente crer no amor,
abstrair o raciocínio,
da consciência ser consciente,
e ser mais de um, dentro da mente.
E nada pode ser mais verdadeiro que isso.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Maria, recebi teu aceite!
porquanto estou feliz,
conquanto não rejeites,
novo escrito que te fiz...
Não vejo em tal escrito,
algo heroico ou meritoso,
penso ser ele constrito,
frente a seu dever honroso:
Entoar a quem difama,
teu versar muito jeitoso,
cantar de quem desama,
tal ato, tão desditoso!
Entro agora, no refrão,
sonoro, e a eles, sobre Verdade:
Imploro, pois então:
Dispam-se de Vaidade!
Despojem-se agora,
sem demora ou desgosto,
do receio de viver!
Posto que tal receio,
de enganar-se é meio,
da falsidade é recreio,
e do bom versar é alheio!
Digo termos, livres disto...
Meio poeta!
Para receita de uma Maria,
algo mui mais completo,
cogita-se um quinhão,
de algo bem seleto:
Chama-se Sentimento,
(uns conhecem por tormento...)
De longe, neste momento,
meu ingrediente predileto!
sábado, 24 de abril de 2010
Maria, me adiciona no Orkut?
Belo aparte,
linda poesia!
Nenhuma plastia,
no todo ou em parte,
melhor tornaria,
tão bela arte!
Apresento-me agora,
prometo ser breve,
a ansiedade devora,
quem te escreve:
Velho ainda não sou,
nada tenho, de menino:
O tempo a mim destinou,
por alcunha, Desatino!
Encantou-me tua poesia,
maestria e comoção,
nada melhor o faria,
tens retórica e emoção!
Quero partilhar,
desta tua convivência:
Anseia por teus versos,
minha aflita consciência...
Jures a meu deleite,
mostre-me um belo verso,
em ansiedade estou imerso,
enquanto aguardo teu aceite!
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Viver no futuro não é viver
ignorar o agora,
é tiro no escuro,
cultivar a demora...
...ou ficar sobre o muro...
Deixarei-te ir,
indecisão, não tolero!
Podes portanto, partir:
Teu retorno,
não mais espero...
...ou mesmo quero...
O que terás de mim?
Sempre descrença!
E um naco assim,
de indiferença!
Não há indeciso,
ou procrastinador*,
que algo mereça,
de minha querença...
...ou de meu amor...
Árvore seca
a despeito de qualquer vento,
destoa no firmamento,
qual paisagem nalguma arte...
Tão sóbrio canto,
seus galhos então estalam,
forma-se triste poema,
que os ventos então embalam...
Pouco ela se move,
alegria alguma finge,
posto que todos comove,
o canto que ela inflige...
Seu hino tão solitário,
vem de além da velha cerca,
ser por natureza gregário,
entoa seu corolário:
A solidão da árvore seca.
Coletivo
bem comum:
Um para todos,
e esses em um!
Vai-se em apertos,
e solavancos,
anda-se aos trancos,
desce-se barrancos!
O coletivo é de cada um,
portanto, de ninguém,
no sacolejo, no vaivém,
vai-se tio, sobrinha, neném.
Assim também o poeta,
em postura discreta,
no fundo do coletivo,
porta papel,
e comportamento instintivo:
Escreve e observa,
o povo passivo,
que tanto o enerva...
A caneta?
Escapolindo!
mais um verso,
vai-se indo,
no jeito de uma toada...
Culpo o motorista,
que dirigindo,
deve pensar,
levar boiada!
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Raio de sol
um raio de sol?
É preciso sentir...
Meço um raio de sol,
comparando-o a ti,
posto o que senti,
tão logo a vi:
Tamanha alvura,
quando chegastes,
tão forte fulgura,
meus olhos cegastes!
Ah, e meu peito...
Outrora tão morto,
por agora, tão morno...
Dulcíssimo efeito!
Tudo iluminastes,
meus rumos, mudastes...
Mas meus prumos... perdi.
sábado, 10 de abril de 2010
Ao niilista
daquele que é niilista.
É tão triste quem não exita,
sobre os porquês de sua existência,
ou sobre a nobreza da consciência,
ou sobre o que de além exista.
A beleza não vem da resposta,
do que gosto, logo explico,
e descomplico pois, a questão:
De antemão a graça morre,
quando ninguém mais discorre,
sobre seu objetivo existencial,
sobre a distinção entre bem e mal,
e o que é ou não natural.
Perder isso é perder o viço,
ser omisso aos porquês é ser triste,
pois sem porquês, o Humano inexiste.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Motivação
Questão primaz esta,
a ser portanto respondida:
Um tanto quanto de desmedida,
paixão não correspondida...
E alguma ausência de sorte,
numa experiência de quase morte...
E uma inquietude doída,
que remédio algum ameniza,
tal qual aberta ferida,
que o tempo não cicatriza:
Sobretudo, desconhecimento:
É decerto questão futura,
para além do firmamento.
Sobra então manter postura,
e abstrair-se do tormento,
inflar alguma vela,
e deixar-se ir ao vento.
Na vida não há manual,
que dirá então previsão,
distância entre bem e mal,
ou espaço para revisão.
Que venha então o vento,
pois as velas estão infladas.
Os Anões
muitos e muitos anões,
de belos coloridos,
altivos e sabidos,
incontáveis anões...
...aos borbotões...
Uns contam seus oiros,
outros loiros, lorotas,
os azuis descascam bergamotas,
e os amarelos entoam cantigas,
das de roda, das mais antigas,
sobre proezas, odisséias e destrezas,
sobre Dalilas, Nicéias e tristezas...
...e Ninfas...
Os anões não findam,
cada qual com suas mentiras,
suas iras e auguras,
desventuras e desmedidas,
bravuras de alguma estória,
fruto de certa loucura,
ou de um lapso de memória.
Os anões tem grande apreço,
pelas coisas mais mundanas...
é sabido seu endereço:
Basta virar alguma esquina,
de uma fértil mente humana...